Quem é este Miúdo? De onde veio e como?

Posted by on Dec 6, 2016 in Blog, Celebrities, numerologia Notícias, Resources | 0 comments

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Quem é este Miúdo? De onde veio e como?

Página 259 | Livro Destinato | Uma Vida Entre Vidas

O tempo avançava e o desespero instalava-se criando em mim, oscilações de humor. Sentia cada vez mais o meu crescimento interior, mas no exterior um incansável ‘status quo’. Açambarco informação e melhoro na técnica, mas não pareço ir a lado nenhum. O mais engraçado é a mudança de ventos. No princípio fui eu quem motivou e abriu portas de esperança à Patrícia. Agora, é ela que, de vez em quando me relembra que devo ter paciência, manter a confiança e continuar o trajeto.

Outro dia de trabalho terminado, mais um para a coleção dos eternos enfadonhos. Saí e, como hábito, dirigi-me para a montanha de Rigaud. Era tarde. Estacionei o carro e subi a rampa em direção das pedras – uma boa distância a pé. Era um local extraordinário e ao mesmo tempo misterioso. Composto de alguns quilómetros quadrados de rochas – seixos redondos como bolas de vários tamanhos. São o género de pedras que encontramos em rios com fortes correntes. O mistério aqui é o facto que se encontram no topo duma imensa montanha longe de rios. O mais curioso é a profundidade de rochas, que parece não ter fim. O sítio é conhecido como ‘Chão de Batatas’. A lenda comenta que a nossa senhora de Lourdes apareceu naquele local a um homem que semeava batatas ao domingo e disse-lhe:

            “ (…) Tu que ousas trabalhar no dia do Senhor, farei com que a tua colheita seja uma de batatas de pedra, será esse o teu castigo por não honrares o dia do Senhor (…) ”

Sempre achei interessante e fascinante como as histórias nascem, especialmente as ligadas às religiões. A lenda trouxe fama àquele sítio, por essa razão um enorme santuário – capela – equipado com bancos de igreja – que sentam centenas de pessoas – foi ali construído. Durante todo o verão missas e piqueniques fazem parte do cenário o que atrai centenas, possivelmente milhares de pessoas, de tal maneira que aos domingos parecem enxames, uns chegam em carros e muitos outros em autocarros – em excursões. A deslocação vale a pena, o sítio é duma beleza natural extraordinária. Os vários trilhos no interior das infinitas florestas fazem do dia uma saída maravilhosa e relaxante – a energia da montanha é muito forte.

Estamos no princípio da primavera de 2002, muito cedo para estas confusões. Já frequento este local há alguns anos – adoro vir aqui passar uns momentos de solidão. O local onde trabalho é vantajoso, fica apenas a três quilómetros. Para quem quer estar só, meditar e contemplar, este é o lugar ideal. Como hábito, uma vez no topo, caminhei em direção a uma enorme rocha a qual contém uma pequena cova que parece ter sido intencionalmente esculpida para que nos possamos sentar. Para lá chegar tinha de andar uns bons metros por cima das pedras redondas, com muito cuidado, pois era muito fácil cair ou torcer um pé. Como costume tirei os sapatos, subi, instalei-me e cruzei as pernas – ergui a coluna, respirei fundo várias vezes e sentei-me. A paisagem era de cortar o fôlego. Àquela hora, a única vida que se fazia ouvir eram os abutres que circulavam no ar à procura de comida. Por vezes, longe nos arvoredos, tinha o privilégio de ver veados. Havia muitos naquela zona, são animais muito discretos, medrosos e cautelosos, por essa razão nem sempre se viam, ao menor movimento fogem.

‘Inspira, expira…’ a minha presença ali era para meditar, mas mais para contemplar – um momento para estar só comigo próprio. Vários pensamentos cruzavam a minha mente e todos eles conduziam ao mesmo sítio – à confusão! A expressão: ‘no interior dum túnel sem ver luz…’ era exatamente o que vivia. Quando olho para trás, em agosto de 1999 pensava ter deixado a profissão que exercia, agora, na primavera de 2002 embora muito diferente a mesma continua agarrada a mim. Os meus estudos em numerologia e quiromancia têm evoluído imenso, assim como o desenvolvimento e comportamento humano na área do coaching. Não havia um dia que não ouvisse uma cassete – um programa diferente, tratava-se de uma repetição – programas daquela natureza não abundavam e custavam muito caro. No entanto, a repetição é a mãe da perfeição. Tudo isto continuava a fazer parte dos meus maiores interesses, no entanto, no que diz respeito a uma possível profissão, não parecia ir a lado nenhum. Clientes continuam a aparecer mas nada que possa sustentar a minha casa. Algumas vezes passava a tarde toda com uma família para no fim me darem $40 dólares. É difícil! Se não soubesse melhor até pensaria ser um castigo, uma punição. Não é fácil guardar uma atitude positiva perante tal situação, pelo contrário, sentia uma enorme tristeza – um abandono da parte do meu Guia, do universo – de tudo!

Um pequeno barulho – ruído – vindo da direita fez-me sair dos pensamentos confusos. Virei-me e olhei. A sua presença surpreendeu-me. Um miúdo! Não tinha mais do que nove anos. A sua cor acastanhada revelava um ser de origem hindu. O meu primeiro intuito foi olhar para trás e em volta à procura dos pais. Tão jovem e àquela hora era impossível estar ali sozinho longe de tudo. O mais curioso foi a audácia que teve de se sentar, graciosamente, relaxado e de forma alongada ao meu lado onde a rocha tinha uma forma de rampa. Toda a minha atenção, foco e pensamentos mudaram totalmente de frequência. Quem é este miúdo? De onde vem? Totalmente descontraído e confiante ali estava alongado e apoiado no seu cotovelo direito, a olhar na direção oposta sem dizer nada. Achei aquilo tão estranho e absurdo que tive de quebrar o silêncio. Olhei para ele e disse:

 

“Olá!”

“Olá!” Respondeu com uma voz muito sábia e diplomática para um ser tão jovem.

“Linda tarde?” Continuei a tentar fazer conversa.

“Hum, hum!” Murmurou concordando e descontraído. Achei aquilo tão esquisito, fui obrigado a sorrir.

“Como te chamas?” Perguntei.

“Anthony!” Respondeu.

Se tudo era estranho antes, agora ainda mais. Anthony era o meu nome.

“Engraçado, também me chamo Anthony!”

“Hum, hum!” Mais uma vez murmurou em total descontração. Posso até adivinhar que, diria que me conhecia, pois o meu nome não parecia ser novidade para ele.

 

Ali ficámos durante alguns minutos. Eu virado para um lado e ele para o outro. De vez em quando olhava discretamente para ele a tentar tomar sentido da situação e ele totalmente descontraído, sem dizer uma palavra, a olhar para o lugar de onde supostamente veio. Finalmente, olhou para mim e disse.

 

“Bom, tenho de ir… adeus!”

“Adeus!” Respondi com o sorriso estático.

 

Levantou-se e começou a caminhar. Com um sorrir apalermado, intrigado e completamente em outra frequência virei-me para ver em que direção ia. Surpresa, desapareceu! ‘… Puxa! O rapaz anda mesmo depressa!’ foi o meu primeiro pensamento. Para caminhar aquela distância – em cima das rochas – e desaparecer só podia ter corrido. A curiosidade e a estranheza que aquele evento causou levou-me a não ser capaz de continuar a minha contemplação/meditação.

A caminho de casa sentia-me muito mais descontraído – calmo e sereno. Sentimento muito estranho, como se subitamente tivesse confiança na vida. Comentei o acontecimento com a Manuela e no dia seguinte com a Patrícia que, por sua vez, contou uma história semelhante. Um dia ao ir fazer compras ao Wal-Mart – híper loja norte Americana – estava uma senhora de origem chinesa encostada à enorme e quase infinita parede que não parava de olhar para ela, de tal maneira que se tornou inconfortável. A Patrícia fazia tudo para desviar o olhar enquanto caminhava em direção da porta, mas quando olhava discretamente para ela a senhora chinesa sorria-lhe e com as palmas das mãos unidas saudava-a. Ali estava, sem sacos – sem nada nas mãos. Quando chegou à entrada virou-se uma última vez e já não a viu. A Patrícia continuou dizendo que era impossível ter caminhado assim tão rápido em qualquer direção e desaparecer em segundos. Disse que nunca comentou com ninguém, era eu o primeiro. Acreditei sem hesitação, a Patrícia era sem dúvida um ser especial, verídica e ao mesmo tempo tímida e reservada.

Depois de ter escutado a sua história em todo o pormenor, refleti e repensei no acontecimento que ocorreu na montanha. Era muito tarde para uma criança daquela idade encontrar-se só naquele local longe de tudo. Tanto a sua postura como a sua maneira de falar condizia mais com um adulto erudito do que uma criança. O nome dele era igual ao meu, Anthony. Nunca vi ninguém que o podia estar a acompanhar. Era simplesmente impossível correr ou caminhar tão rápido em cima daquelas rochas e desaparecer em segundos. Não me lembro de ter visto um só hindu na remota região de Rigaud, sem ignorar o facto de que era uma vila totalmente francesa e o rapaz falou-me em inglês. A idade que vi – sem ver – foi 9 anos, porquê 9? Depois deste estranho evento a minha energia física e mental sofreu uma enorme alteração – um sentimento de paz e tranquilidade, como se tudo estivesse bem.

Quem era aquele ser? De onde veio? Para onde foi? A minha profunda reflexão levou-me a concluir que algo sobrenatural acabava de acontecer, estranho que pareça o rapaz não podia ser deste mundo. Sei que esteve comigo e sei que não estava a sonhar. Conclusão, só pode ter sido o Rubert que me veio visitar, acalmar e assegurar. O diálogo foi curto mas o efeito energético que a sua presença causou ultrapassou todas as possíveis palavras que poderiam ter sido verbalizadas.

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