KARMA e REENCARNAÇÃO

(recebido por Antonio em 2000)

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A reencarnação e o karma é algo muito falado hoje em dia. Através das múltiplas palestras que tenho dado em diversos locais e em três línguas, cheguei à conclusão que muitas pessoas têm uma interpretação e uma noção que, eu diria confusa a respeito destes temas.


Esta comunicação trata-se de um extracto duma conversa que eu tive com o meu espírito guia Rubert. A única coisa que tinha em mente quando comecei, era explorar o porquê de todo este sofrimento que passamos nesta dimensão que chamamos terra. Aos meus olhos eu via este mundo como um mundo de injustiça e onde não gostava de viver. Depois desta conversa, comecei, não somente a aceitar muito mais o meu mundo, mas também a abrir-me a ele.


É para mim um prazer e um privilégio partilhar esta comunicação convosco.


“Rubert, aqui é o António que fala, quero saber se estás comigo neste momento, na Luz e no Amor?”


“Sim António, estou sempre contigo, basta apenas pensares em mim para que eu esteja contigo… no entanto, eu nunca te perco de vista.”


“Tu queres dizer que te ocupas de mim, sempre?”


“Sim!… Tu e eu temos um contrato juntos!”


“Agradeço muito, embora não compreenda bem como é que isso funciona. Se tu estás sempre comigo, acho que por vezes deves achar o tempo longo e maçador.”


“Porquê?”


“Por vezes penso que não faço nada de interessante ou importante.”


“Tudo é interessante e importante. Quando estás nesse estado eu trato de muitas coisas que fazem parte do teu destino escolhido. No entanto, embora este assunto fique para outra altura, tens de compreender que eu existo numa frequência diferente da tua é uma que existe completamente na multi-dimensionalidade do ser.”


“O que é que isso quer dizer?”


“Quer dizer que existo em diversas partes ao mesmo tempo, mas como disse, este é um assunto que vai ficar para outra vez.”


“De acordo. Rubert, hoje gostaria de falar sobre dois assuntos, a reencarnação e o karma. Como sabes, li alguns livros sobre o assunto e também assisti a conferências. Embora tenham servido, gostaria mais de conversar contigo sobre este assunto que acho muito interessante mas também muito importante. A meu ver acho que um vai com o outro. Tens alguma objecção ao que eu acabei de dizer?”


“Não!… podes continuar.”


“Obrigado. A minha primeira pergunta é, porque é que nós encarnamos e em que é que isso pode servir?”


“A reencarnação permite viver a experiência do conhecimento. Nesta nossa conversa a reencarnação pode ser vista como o movimento SEC. A Sabedoria através da Experiência transforma-se em Conhecimento. Nós escolhemos um corpo físico na dimensão que elegemos para nos materializarmos na experiência. Possuímos a sabedoria e a teoria, mas necessitamos viver os factos. As acções e as reacções, são algo que conhecemos mas, no mundo espiritual é-nos impossível de, as viver,  sentir ou de lhes tocar.

Nós visitamos a terra como visitamos outras dimensões, para fazer a experiência que essa dimensão nos tem a oferecer. Na terra tu podes experimentar o tocar de uma planta, de uma gota de chuva, sentir a ternura de um beijo, sentir o vento, o amor, o medo, a dor, o prazer, as lágrimas, as emoções, a água, o fogo, a traição, a riqueza, a pobreza, a doença, a saúde enfim, tudo o que podes imaginar aqui nesta terra.”

“Quantas vezes é que temos de encarnar?”


“Nenhuma!”


“Como nenhuma!?… Não compreendo?”


“Perguntaste quantas vezes é que ‘tens’ de encarnar e eu respondi, nenhuma. Tu não tens de encarnar, tu não és obrigado a encarnar. Podes escolher fazê-lo, mas não és obrigado. No entanto, se escolheres encarnar podes fazê-lo as vezes que desejares.”

“Peço desculpa pela minha falta de experiência sobre este tema, mas estou um pouco confuso. Eu estava convencido que a reencarnação e o karma eram algo de necessário e mesmo crucial à nossa evolução. Agora tu dizes que não.”


“Não é bem isso que eu te disse António. O que eu disse foi que tens escolha. Sabes, existem outros meios de evoluir, outros níveis de existência. São processos mais longos, é por isso que muitos de nós escolhem o processo de reencarnação. É mais rápido e a meu ver, muito mais interessante.”


“Estou a ver, existem outros níveis de existência, mas a reencarnação é um bom meio de evolução para a alma. Quantas vezes é necessário encarnar para completar, por exemplo, o processo terrestre, se decidirmos esse meio?”


“Como poderás imaginar, varia muito de Alma para Alma. Seria para mim impossível  dar-te um número, aliás, não faria sentido algum devido às diferenças entre vós. No entanto podes deixar a tua imaginação viajar, e compreenderás que existem múltiplas experiências na terra que merecem ser experimentadas e que servem muito bem a intenção da Alma.”


“Em 1995, dissestes que eu tinha vivido 447 vidas. Porque é que é mais longo para uns do que para outros?”


“As situações Kármicas.”


“Quer dizer que tenho razão quando digo que a reencarnação está ligada ao karma!”


“Eu nunca te disse o contrário António!”


“Verdade! Podes dar-me um exemplo do funcionamento desse processo?”


“Com muito prazer. Tudo o que decides fazer implica e tem um impacto directo com a existência, mineral, planta, animal, humana e os deuses. O objectivo desse processo é de equilibrar todas as consequências das tuas acções. De viver e experimentar os dois lados de todas as experiências. De fechar todas as portas que tu decidiste abrir, se me permites utilizar este termo. É claro que muitas das tuas acções serão equilibradas numa mesma vida, mas há outras que serão remetidas para outros tempos, outras circunstâncias, outras vidas. Quando se empurra muitas consequências para vidas futuras, claro que elas acabam por empilhar. Podes comparar com o processo bancário. Se tu decides pedir muitos empréstimos, um ano não será suficiente para reembolsar a dívida.”

“Falas de mineral, planta, animal, humana e os deuses… não compreendo!?”


“Quando eu digo impacto directo quero dizer que estás interligado a eles. No entanto eu compreendo a tua pergunta, e ela tem a ver com a palavra deuses, é isso?”


“Sim, é isso… compreendo que estamos interligados ao que fazemos aos animais e à forma em que respeitamos a vegetação, no que diz respeito ao mineral e aos deuses, não percebo.”


“Tudo serve de evolução na terra, incluindo o mineral que está na base de tudo. No que diz respeito aos deuses, trata-se em si de um capítulo completo. Algo que vamos entrar em detalhe num outro capítulo. Mas por agora digo-te que as encarnações como deus ou demi-deus (semi-deus?) também faz parte da evolução terrestre. São encarnações complexas, porque os prazeres são muitos e o nível de êxtase é bastante elevado.”

“E tu chamas a isso complexo?”

“Sim… bastante complexo! São níveis de existência onde a criação do karma é bastante elevada. A tendência a perder-se nos prazeres pode levar os que existem neste nível a interferir sem consideração com os outros níveis, o que terá sem dúvida um impacto em vidas posteriores.”


“Bom, agora fico cheio de curiosidade com respeito ao que acabas de dizer, mas compreendo, deve ser em si um capítulo. Voltando à base, o karma faz parte da reencarnação, muitas pessoas têm uma certa dificuldade com este conceito, olhando o karma como uma forma de punição. Poderias esclarecer?”


“Antes de responder à tua pergunta, gostaria primeiro de responder a uma que ainda não perguntaste. O que é que karma quer dizer verdadeiramente? Eu escolho a palavra karma porque foi a que tu escolheste para formular este diálogo de perguntas e respostas entre nós os dois. A palavra karma quer dizer ao mesmo tempo, acção e reacção. Quando se diz que tu vives num mundo de karma, isso quer simplesmente dizer que tu vives num mundo de acção/reacção. Tudo o que faças, bom ou mau, terá sem dúvida uma reacção, ou seja, consequências. A realidade é que o karma nem é bom nem é mau. Sem o karma, a reencarnação seria completamente inútil. Como é que poderias seguir os teus progressos e chamar a isso progresso? O ciclo da reencarnação é ligado pelo karma. É o que une as experiências das vidas passadas, presentes e futuras. Sem o karma a reencarnação não faria sentido. Poderiam chamar ao karma, o vosso livro de contas, o sumário dos vossos pagamentos e das vossas dívidas.”


“Compreendo o que dizes, mas não é um comprimido fácil de engolir para muitos de nós.”


“Certo!… Existe confusão por causa da falta de compreensão e, ironicamente, são aqueles que não compreendem, os primeiros a queixarem-se da falta de igualdade e de justiça na vossa sociedade. Eles farão objecções perante o sofrimento e a perca, porque gostariam de ganhar sempre na vida. No entanto, todo esse comportamento é normal, é um instinto natural no ser humano reagir defensivamente. Somente quando chegarem a compreender os porquês das situações e das circunstâncias, é que param de julgar, condenar ou de se queixar. A ‘lei’ do karma ajuda-nos a compreender as ditas injustiças e diferenças nas nossas vidas.”


“Compreendo esse ponto de vista, mas há outros que me deixam um pouco perplexo. Tu dizes que a compreensão devia eliminar a punição dos culpados. Como é que explicas esses casos extremos, onde por exemplo, as crianças são molestadas ou abusadas sexualmente, são gestos difíceis de compreender ou aceitar.”

“António, eu não disse que a compreensão eliminava a punição dos culpados, essas são palavras tuas. Escuta atentamente. Quando decidem, isto falando de todos vós, vir à terra para experimentar a vida física, quer dizer que aceitam automaticamente todas as consequências que se atam às vossas escolhas. A vossa Alma sabe que em cada acção existe uma igual e oposta reacção e que tudo isso tem de ser equilibrado. A pessoa que comete esses actos pode escolher ser capturado e condenado a prisão perpétua, ou mesmo ser condenado à morte, começando assim a equilibrar a experiência escolhida. Outros ‘crimes’ como lhe chamam, passam sem punição. Mas como é que isso pode acontecer? Como sabes, isso é algo bastante comum na vossa sociedade hoje, grandes crimes, pequena punição. Em primeiro lugar, pode ser o fim de uma experiência, o fechar de uma porta, o fecho de um ciclo, onde tudo terminou e não há necessidade de ir mais longe. Segundo, esta Alma pode ter começado um grande círculo de experiências, aberto uma nova porta, criando o novo karma. Assim, ela pode ter escolhido pôr a conclusão dessa experiência a uma vida futura.

Não te esqueças que tu vives numa dimensão de livre arbítrio. A tua Alma tem a liberdade de escolher, de fazer ou não fazer, de começar e terminar segundo o seu desejo.”

“Mas porque é que temos de sofrer? Tenho muita dificuldade com esse conceito, acredita que não estou sozinho. Muitos de nós temos dificuldade em aceitar essa realidade.”


“Compreendo as tuas emoções e simpatizo com a tua fúria. Não te esqueças que eu também vivi e evolui na terra. Mas tens de tentar compreender os factos. É crucial para a evolução da Alma de ressentir através da forma para atingir o seu objectivo que é a perfeição espiritual. É essa a razão porque decidiste  estar aqui neste momento.”


“Talvez, mas tudo isso me parece injusto. A Alma escolhe um corpo para o fazer sofrer, para depois ressentir o efeito das experiências e assim atingir uma grande evolução. Não me admira nada que muita gente tenha dificuldade em compreender ou aceitar esse conceito.”


“Deixa-me explicar. O processo não é bem assim como pensas. Sim… a Alma escolheu tudo, mesmo o de respeitar o corpo ao seu mais alto nível. Tu pensas que a Alma faz sofrer o corpo enquanto ela observa. Não… todas as vezes que o corpo sofre, a Alma sente a dor, muito mais do que podes imaginar. Outra coisa, quando o grau de sofrimento atinge um nível intolerável, a Alma protege o corpo, desligando os sentidos. É um acordo entre a Alma e corpo.

Permite-me dar-te um exemplo fácil de compreender. Já ouviste falar de alguém que teve um acidente de carro. O acidente foi grave. Quando a pessoa recuperou os sentidos, perguntam-lhe: ‘o que é que se passou?’ Qual é a resposta António?… a resposta que obtemos frequentemente, para não dizer sempre, é: ‘não sei… ia a caminho de casa, subitamente creio que um camião me cortou a via… quanto ao resto, não me lembro de mais nada… acordei no hospital…’

António, se pudesses parar um minuto, tu serias capaz de ver claramente o quadro em que existes. Essa pintura extraordinária é muito maior do que podes imaginar, ou que os teus olhos humanos possam ver.”


“É como se fizesse parte de um grande jogo!?…”


“Sim, um jogo no qual escolheste participar. O que é importante compreenderes é que tu não és esse jogo, tu apenas jogas o jogo. Claro que não tens memória disso, mas é exactamente o que se passa. Tu fizeste um plano de jogo, ao qual eu e outros guias assistiram e uma vez que o tempo chegou, tu desceste para jogá-lo. Quando compreenderes e aceitares tudo isso no teu coração, podes decidir viver a alegria em vez de viveres a dor.”


“Estás a dizer que nós podemos escolher entre o sofrimento e a alegria? Se é esse o caso, muitos de nós, incluindo eu, ignoramos a existência dessa escolha. Como é que podemos atingir essa consciência e escolher a alegria?”


“Tu já o fazes, lentamente mas fazes. No dia que compreenderes no teu coração, não na tua cabeça, que o sofrimento não é nada mais do que um apego à ilusão, por outras palavras, uma questão  de percepção e de aceitação. Se tu escolheres controlar as emoções em vez delas te controlarem a ti, o sofrimento desaparece.”


“Assim tão simples?”


“Sim… assim tão simples! Pensa um pouco e visualiza o que te faz sofrer. O que é que provoca em ti a dor? O que é que te atormenta? O que é que te faz triste? O que é que te faz chorar? Uma vez a causa identificada, tu verás que nada vem só e que tudo tem uma razão de ser. Mas não só, verás também que provavelmente nada poderás fazer para mudar o que já aconteceu. Tens de aprender a ser rápido, a compreender e a aceitar que tudo tem dois lados e  tudo serve uma causa maior.”


“Há alguma excepção?”


“Não… é simplesmente assim.”


“O que dizes é que temos de experimentar tudo o que existe para podermos evoluir?”


“Pressinto um certo receio nas tuas palavras. Sabes, eu posso ler os teus pensamentos. (Sorriso) Estás a pensar no ciclo completo de experiências humanas através de um só cérebro humano e um só corpo físico, assim como as coisas mais terríveis que possam acontecer como experiências. Primeiro deves compreender que existem milhares de experiências diferentes a serem vividas por pessoas diferentes neste mesmo momento na terra. Sabe também que todos  vivem ao seu próprio ritmo e nível de evolução, o que significa que todos estão perfeitamente equipados para enfrentar as experiências que eles próprios escolheram viver. Aqueles que estão aqui e que decidiram fazer experiências que causam sofrimento físico, escolheram provavelmente um corpo físico forte e resistente em vez de um grande intelecto. Aqueles que vieram para estudar, escolheram um intelecto forte e um corpo mais delicado.

Para responder à tua pergunta. Não, tu não necessitas de experimentar tudo de um ponto de vista físico. Claro que podes fazê-lo, mas não é necessário. Viver na Luz pode evitar muitas experiências dolorosas. Se fores sincero e honesto contigo próprio, poderás compreender muitas experiências simplesmente olhando para outros. Se vires um indivíduo cair num buraco, será verdadeiramente necessário caíres no mesmo buraco para compreenderes o impacto? Se te queimares num pequeno fogo, será necessário repetires a experiência com um grande fogo?”

Não sei Rubert, anteriormente disseste que escolhemos encarnar para sentir aquilo que conhecemos teoricamente…”


“Sim!… Mas muitas delas, as repetições, podem ser evitadas.”

“Mesmo assim, quando penso nelas faz-me medo. Todas essas experiências à nossa espera para nos magoar.”


“Como já te disse e repito, não tenhas medo. Há uma grande diferença entre saber que vais cair e cair de surpresa. Há uma grande diferença entre saber que vais ser atingido por uma arma e acordar no hospital depois de teres recebido um projéctil. Isto, utilizando exemplos drásticos. António, o que eu quero dizer é que a Alma protege constantemente a mente e o corpo humano, é por isso que o sofrimento tem limites.

Escuta, eu acompanhei-te neste diálogo, dando-te explicações às tuas perguntas, no entanto, o maior sofrimento não se encontra no que acabámos de falar, o maior sofrimento é psicológico, não físico. O maior sofrimento é quando se agarram a algo que está fora do vosso controle mas que julgam que deve ser diferente. As inquietações por exemplo, causam enorme desgaste de energia o que se traduz em várias formas de sofrimento. De todos os monstros que têm de enfrentar neste mundo físico, a inquietação é um dos mais difíceis.

Permite-me dar-te um exemplo do preço que custa as inquietações:

  • 40% das vossas inquietações são a propósito de coisas que nunca chegam a acontecer.
  • 30% das vossas inquietações são a propósito de coisas passadas e que nunca poderão ser mudadas.
  • 12% das vossas inquietações são a propósito da saúde, mas não necessariamente de maneira construtiva. Esta parte inclui indivíduos que se inquietam muito a propósito da sua saúde mas não fazem nada para corrigir a maneira como vivem.
  • 10% das vossas inquietações são a propósito de diversas preocupações banais e poluição mental..
  • Somente 8% das vossas inquietações, são inquietações e preocupações legitimas e reais.

Como podes ver, uma grande parte do vosso sofrimento poderia ser evitado. Outros exemplos, se te sentas à frente da televisão a escutar e visualizar as noticias mundiais, garanto-te que te vais sentir depressivo. No entanto nada dessas noticias têm a ver contigo ou com o teu mundo imediato. É provável que te sintas triste e frustrado por aquilo que vês, mas para aqueles que o vivem a história pode ser muito diferente.

É simples de compreender. Quando olhas para aquilo que qualificas de miséria,  é porque fazes uma comparação, comparação àquilo que tens e possuis. Do outro lado do quadro, eles não vêem as coisas dessa maneira, a única comparação que têm ao seu bocado de pão é outro bocado de pão, aos teus olhos isso é miséria. Sim, pode ser miséria, mas uma coisa é certa, há muito mais suicídios na vossa sociedade que parece ter tudo, no que na deles. Por razões variadas e nem sempre baseadas no que dizem, muitos canais de televisão vos mostram as passagens difíceis que essas pessoas atravessam. Já alguma vez ouviste falar de suicídio nessas sociedades? É provável que nunca.

Como já te disse anteriormente, cada pessoa vem perfeitamente equipada para viver e lidar com as experiências escolhidas. Se puseres uma pessoa da Etiópia no teu lugar a viver a tua vida, garanto-te que ela terá muita dificuldade em adaptar-se ao ritmo exigente da tua vida. Se por outro lado, és tu quem vai viver onde eles vivem, permite-me dizer-te que, mesmo com todo o teu intelecto, terias enormes dificuldades em adaptar-te. Tudo é relativo neste mundo da forma, a miséria não faz excepção. Eu estou consciente de que este conceito não é fácil para vós de aceitar, eu compreendo porque já passei por tudo isso e lembro-me muito bem das dificuldades que vivi.”


“Se compreendo bem, essas pessoas vivem o que têm de viver e nós vivemos o que temos de viver. Há alguma lição social a compreender atrás de todo esse processo?”


“Claro que sim! Como já te disse anteriormente, a tua evolução é pessoal, social e colectiva. Eles estão aqui para compreenderem a importância da vida. No vosso caso, ao olharem para eles, eles dizem-vos a importância da vida. Eles dizem-vos como é que não dão valor a tudo o que têm, que até se chateiam e se fartam de tanta fartura. Eles dizem-vos como é importante toda a comida que deitam no lixo. Através disto, eles mostram-vos que o equilíbrio social não existe. Eles dizem-vos que o caminho a percorrer para curar o planeta, é ainda bem longo. Breve, eles dizem muito mais a vós do que vós a eles!”


“Essas palavras magoam.”


“O que é que te magoa?”


“A verdade!”


(Sorriso) “Quando a verdade magoa, é porque há uma tomada de consciência, é sempre o caso para todos aqueles que vêem esta verdade. É isso a que chamamos o despertar de consciência António, é assim que a cura começa. Descobrir a verdade, é descobrir a Luz.”


“Será que podemos terminar o karma?”


(Sorriso) “Claro que sim! O karma é apenas um instrumento de evolução pessoal. Imagina o karma como um colar. Colar este que é composto de muitas argolas. No entanto, quando a primeira argola encontra a última, o circulo está completo. Mais tarde ou mais cedo, todos e cada um de vós chegará a esse ponto. Conhecer a verdade, senti-la, vivê-la,  aceitar e adoptá-la. Desta forma, é fácil para vós adquirir o amor incondicional. O amor incondicional é a ultima argola do vosso colar.”

“A verdade em si é um grande debate. Muitos de nós entramos em conflito por causa da verdade. Eu mesmo sinto-me confuso muitas vezes. Também já ouvi dizer que transportamos todos a nossa própria verdade.”


“Sim!… E diria mesmo que todos os vossos conflitos partem dum desacordo entre as vossas diferentes verdades. Todos vós sois uma partícula de uma verdade base, trabalhando para alcançar uma verdade mais alta, uma compreensão do absoluto. No entanto, a verdade que falo, é a verdade do ser. A verdade única. A transparência da vida. A liberdade de existir e a compreensão da acção. Quanto aos debates e conflitos, tens de compreender que todo o metal precioso tem de ser queimado e batido antes de ser utilizado.

Quando estiveres fora dos debates e dos conflitos no que diz respeito à verdade, saberás que atingiste um nível mais alto da verdade. Se todas as tuas acções são baseadas na honestidade, na sinceridade e no amor, quais serão as reacções?”

“Rubert, não quero discordar com o que dizes, mas há tantas pessoas que são tão boas para os outros, e nem sempre recebem o mesmo tratamento de volta. Qual é a razão?”


“Eles deviam simplesmente rever a sua ‘bondade’ porque muitas delas têm interesses pessoais atrás das suas acções. Lembra-te que a acção é activada pela intenção. Qual é a intenção? É essa a pergunta! Quando descobrirem e viverem a Luz Divina, jamais cultivarão o mau karma, não faria sentido!”

“Compreendo isso, mas algumas delas têm verdadeiramente boas intenções para com os outros e são tratados rudemente.”


“Nesse caso, a compreensão do karma pode ajudar a causa. Deves compreender que as ligações kármicas vêem de longe, e é por isso que casos como esses existem. Efectivamente, muitas pessoas são amáveis e prestáveis, mas não recebem necessariamente o mesmo tratamento de volta. Se elas estão na Luz, então compreendem que algo maior está a ser tratado, talvez uma conclusão kármica. O facto de saberem que fazem parte dum plano divino, levá-los-á a uma aceitação, o que por seu lado leva a terminar essas ditas injustiças.

A gentileza deve ser um estado constante do ser e não uma expectativa ou por interesse. Se são amáveis e cheios de consideração pelos outros mas eles por seu lado não o são, sejam capazes de sorrir perante uma tal situação sem que se chateiem, digam-vos: “ele deve-se lembrar de algo que eu não me lembro…” e continuem. No entanto, isso não quer dizer que aceitem tudo sempre e repetitivamente, não! Se alguém não aprecia a vossa amabilidade, então ofereçam-na a quem necessita e aprecia. Aqueles que vêm a vós com atitudes brutas e com falta de consideração, mostram-se a vós como uma pequena chama. O facto de reagir do mesmo modo, só fará com que a chama amplifique; nem tu nem ninguém tem nada a ganhar para poder graduar o processo da vida.

A vossa Alma toma forma física para experimentar e ressentir, algo que não poderia fazer na sua forma espiritual. Como a experiência não pode ser feita só, a interacção com os outros é necessária e inevitável. Através das primeiras encarnações, a vossa Alma cria e acumula uma variedade de situações que por seu lado se colam ao seu programa de evolução. Algumas são experiências que trazem felicidade, outras tristezas e dificuldades, no entanto, tudo é, sem dúvida alguma, passagens vitais para crescer e evoluir. Essas situações são definidas como karma, algo que todos vós desejam pôr de lado, mas em primeiro lugar, é-vos necessário reconhecer que foram vós que as criaram. Mais tarde, em encarnações futuras, a Alma toma forma física para se limpar e curar. Um bom exemplo é a roupa que vestem, se uma delas se rasgar, é normal que desejam que seja reparada. Se alguma delas se suja, mais uma vez, é normal que a queiram limpar. Embora se trate aqui de um processo bem normal, isso não quer dizer que hajam garantias. De vez em quando o imprevisto pode surgir, por exemplo, a roupa pode voltar com imperfeições ou nódoas. Claro que a vida não pára por causa disso, no entanto, é necessário voltar e tentar de novo até obterem o resultado desejado.

A lei do espelho António, não se trata de uma lei que nos foi imposta por Deus ou uma outra entidade. Não foi Deus que obrigou o homem a comer da árvore do CONHECIMENTO’ foi o homem quem o decidiu fazer. Podes chamar-lhe lei ou regra, no entanto trata-se aqui simplesmente de um processo. Ele foi estruturado e recebeu um voto unânime, se me permites utilizar este termo, de todos nós. O karma faz parte do nosso grande desejo de crescer e de se aperfeiçoar. A reencarnação e o karma são uma combinação muito querida para a nossa Alma. É como um atleta que põe à sua frente desafios intensos e uma disciplina severa, mas concentra-se apenas no resultado final… na beleza.”

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Depois de toda esta explicação que recebi do Rubert, compreendi que tudo é Kármico, que tudo está ligado pela acção. Embora eu tenha agora a certeza, ou penso ter a certeza, que as doenças também fazem parte do karma, há muito com respeito às doenças que eu não compreendo e gostaria de compreender.


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Basta recuarmos no tempo para vermos que as doenças sempre fizeram parte de nós, não somente da raça humana mas também de tudo o que respira neste planeta. Não há muito tempo, descobrimos que os Egípcios nos tempos dos Faraós, já morriam de cancro. Desde quando a doença existe na terra e porquê?


Quando era jovem, eu tinha a minha própria teoria. Seja teoria ou memórias de vidas anteriores, eu acreditava fortemente, e alias, dizia às outras pessoas que a razão principal porque adoecemos é que habitamos num planeta errado. Que aqueles que nos trouxeram aqui, enganaram-se, pois este planeta não é a habitação ideal para nós humanos.


O que me levava a esta conclusão, começava pela análise da temperatura, nuns lados morremos de frio, e noutros, morremos de calor. Mas não só, temos também de ter atenção aos outros seres vivos, pois muitos deles acham-nos bastante deliciosos, ou seja é muito perigoso viver neste planeta.


Como uma grande parte das pessoas que vivem neste planeta conhecem ou conhecerão a doença, será possível estarmos no planeta errado? Alguns dizem que a doença deles é simplesmente hereditária e a única escolha que têm, é de viver com ela. O problema é que há muitos outros que adoecem sem necessariamente terem ligações hereditárias.


Aqui no Canadá onde moro, a gripe é algo que bate à porta de muitos. A culpa é atribuída às diferenças de temperatura que podem ser consideráveis. Mas há algo que me deixa perplexo, se é esse o caso, então porque é que não estamos todos doentes com gripe, se a temperatura é igual para todos?


“Rubert, gostaria de continuar o nosso diálogo sobre o karma. Segundo o que compreendo tudo o que vivemos aqui neste planeta é ligado pelo karma. Não me engano pois não?”


“Não!”


“Uma das nossas grandes preocupações, são doenças. Muitas pessoas vivem o medo de cair doente, e quanto mais envelhecemos, mais a preocupação aumenta.”


“Convido-te a não te preocupares. As doenças fazem apenas parte dos instrumentos que utilizamos na terra para evoluir. As doenças existem simplesmente para todos os que necessitam delas, como tudo aliás.”

“Porque é que eu necessitaria das doenças para evoluir? A meu ver, as doenças até seriam algo que poderia impedir-me de continuar a minha viagem.”


“Como tudo aquilo que falamos da reencarnação, do karma, o mesmo princípio aplica-se às doenças. Quer seja uma lição física, moral, espiritual ou mesmo um tempo de reflexão, as doenças são de facto, um instrumento muito eficaz para a Alma. Através da experiência da doença, uma vida pode ser totalmente transformada.”


“Sim, estou de acordo, mas acho que nem sempre é de maneira positiva.”


“Muitas vezes escolhem vias negativas para chegarem a destinos positivos e com valor.”

“Verdade. Dizes que a doença vem a nós sob forma de lições. Quer dizer que através do cancro há uma lição a aprender?”


“Toda a doença é uma forma de lição, o cancro não é excepção. É por essa razão que a doença tem sempre acompanhado o ser humano. Já notaste que, cada vez que descobrem a cura para uma doença, imediatamente outra doença aparece? Poderíamos dizer que a própria doença está em evolução.”

“Sim, na realidade é um facto.”


“Como falámos anteriormente neste capitulo, não é bem a passagem que conta, mas sim aquilo que são capazes de tirar dessa passagem. António, as doenças são algo de colossal na escola terra, uma experiência riquíssima, já reparaste?”

“Não percebo!”


“Quando eu te digo que fazes parte de diversas realidades ao mesmo tempo, quero dizer que há muito mais do que os teus olhos humanos podem ver, eis um exemplo: Doentes, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, medicamentos, cientistas, pesquisadores, aparelhos, macas, ambulâncias, instrumentos, vestuário… compreendes a ideia? Que riqueza evolutiva! Todos, à sua maneira, lucram da existência da doença.”

“Da maneira como falas, até parece que a doença é coisa boa!”

“Boa ou má António, ela existe, e se ela existe é porque tem o seu lugar no seio da vossa evolução. Eu sei que é difícil para muitos de vós digerir as minhas palavras, ou mesmo de aceitar esta teoria, mas peço-te que estejas atento e de seguires as minhas explicações, porque é nelas que se situa a diferença entre o sofrimento e o bem-estar.

Existem muitas doenças e numerosas experiências ligadas a cada uma delas. Não somente vos trará o mau estar, mas também vos impedirá o desempenho de cumprir as vossas tarefas normais. O que é importante compreender é que a doença não é uma causa mas sim um efeito. Procurar a causa, é compreender o efeito.”

“Tudo parece fácil para ti Rubert, mas nós, o que é que devemos fazer… como é que devemos proceder para que isso aconteça?”


“Começa por compreender que o teu corpo é o reflexo do objectivo e do desejo da tua Alma. Compreende também que o teu corpo, assim como tudo o que utilizas na terra, requer uma atenção e uma manutenção particular. Então, faz o que é apropriado. O teu carro necessita de gasolina, o teu corpo necessita de alimento. Em vez de ajustar os injectores, o motor ou outros acessórios, tu necessitas de ajustar os teus chacras. Ao pores o teu corpo a viajar através de caminhos pedregosos, de certeza encontrarás desconforto. Tudo o que sentes ao nível do corpo, não aparece nele magicamente, é sinal que fizeste ou não fizeste algo que devias ou não devias fazer. Se tu queres saber como é que o condutor conduz, basta olhares para o seu veículo.”

“Mencionas que devemos ajustar os chacras, será que eles jogam um papel assim tão importante na nossa saúde?”

“Importante não… crucial! Convido-te a estudar sobre o assunto, para assim compreenderes qual chacra governa os diferentes órgãos e zonas do teu corpo. Os chacras são os pontos de entrada e de saída de energia contidos na tua aura e ligados ao teu corpo físico, que te ligam ao universo e que te permite fazer a experiência física. No momento em que um deles está em desequilíbrio, sentirás desconforto, o que por seu lado pode causar doença. Por exemplo, digamos que estás a regar o teu jardim e subitamente sentes uma diminuição de pressão. Qual é a primeira ideia que te vem à cabeça?”

“No meu caso é algo que até acontece muitas vezes. Procuro um nó na mangueira.”


“Precisamente! Devido a um movimento que fizeste, criaste um nó, o que por seu lado, causou uma baixa de pressão. A água continua a correr, mas não suficientemente à tua necessidade. Os chacras funcionam sob o mesmo princípio, todas as vezes que criam um nó na vossa maneira de ver e aceitar as situações ou as circunstâncias da vida, reduzem torrente de energia, o que ocasiona desconforto.”

“Há pouco disseste que havia uma lição a aprender através de todas as doenças. Depois falaste de chacras. A minha pergunta é, qual é a lição atrás do cancro? Como sabes, o cancro é uma doença que preocupa mais do que um de nós.”

“O cancro, tal como outras doenças que classificam graves, são o resultado de um grande desequilíbrio dos chacras a um nível intenso. O cancro pode surgir em qualquer parte do corpo, independentemente do chacra desequilibrado. Tudo é energia, e vós sois canais de uma circulação constante de energia. Para viver uma vida mentalmente, fisicamente e espiritualmente equilibrada, devem deixar a energia circular naturalmente e livremente através do vosso ser. Tanto as entradas como as saídas de energia devem estar sempre bem reguladas.

No que diz respeito às lições atrás do cancro, como podes imaginar, mais uma vez, aqui também são vastas. No entanto, algo muito corrente que dá origem ao cancro, é a falta de aceitação. O cancro é uma doença grave, mas que pode ser evitada de maneira muito simples, talvez simples demais para ser aceite. Os ingredientes necessários para evitar o cancro são: amar verdadeiramente, respeitar verdadeiramente, aceitar verdadeiramente, ser honesto e compassivo verdadeiramente, crer em vós próprios verdadeiramente… breve, serem reais e verdadeiros com vós próprios e com o vosso mundo. Se adoptarem esse modo de vida, os vossos chacras conhecerão o equilíbrio, a energia circula livremente sem bloqueios. Como vês, não é assim tão difícil.”

“Assim tão simples?”


“Sim!… Assim tão simples. Já reparaste no esforço que fazes para encontrar algo que procuras quando finalmente está à tua frente? Isso acontece porque foste condicionado a enfrentar uma tarefa difícil e complicada. Se é simples não pode ser bom… assim dizem.

Quando eu digo ‘verdadeiro’ é ser capaz de deixar a energia circular livremente e naturalmente. Quando resistes a qualquer coisa. Quando julgas alguém ou alguma coisa de maneira rígida. Quando mentes a ti próprio. Quando tens rancor ou ódio. Quando queres o mal de alguém. Isto para te dar alguns exemplos, como deves imaginar há muitos mais. Ora, o que eu quero dizer é que tudo o que acabei de dizer põe-te em desequilíbrio. Põe o teu ser fora de frequência.

Acredita em ti e age sem intenções escondidas. Quando tu amas verdadeiramente, tu amas simplesmente. Quando não amas verdadeiramente, estás à espera de qualquer coisa. Tem intenções verdadeiras e honestas, quanto mais fores transparente mais a tua energia circula naturalmente e saudavelmente.

António, tudo vem a ti em forma de ondas e frequências, podes comparar a um aparelho de rádio, se a sintonização não é adequada, o som será um som doente.”


“Compreendo mas tenho outra pergunta, digamos que eu faço tudo isso mas depois não tenho atenção ao que como e ao que bebo em excesso. O que é que acontece nesse caso?”


“Se fores verdadeiro e simplesmente tu, os teus centros de energia estarão em harmonia com o universo e os teus chacras equilibrados. Não serás capaz, nem de beber nem de comer em excesso, somente pensar em tal coisa, te faria sentir inconfortável. O corpo humano tem tendência a agarrar-se a hábitos, uma vez que um hábito, seja ele bom ou mau, é  condicionador é difícil se desfazer dele. Se o teu corpo desenvolveu bons hábitos de vida, quando te distancias deles, há um descontentamento que se manifesta. O vosso corpo está sempre em constante comunicação convosco, mas, claro, nem sempre estão à escuta.”


“É difícil para mim lidar com excessos, sejam eles quais forem. Será que isso quer dizer que eu tenho os meus chacras bem equilibrados?”


“Sim, poderíamos dizer que sim na maioria das vezes, mas antes de irmos mais longe deixa-me fazer aqui uma observação que acho importante. Se voltarmos um pouco atrás nesta conversa, tu compreenderás porque é que pode ser simples para ti e não tão simples para outros. Quando tomam forma física é para ressentir e experimentar, trata-se do interesse principal da vossa Alma. Quando uma experiência é vivida, quero dizer, começada e terminada, é tempo de experimentar outras coisas. Se já experimentaste e adquiriste o conhecimento face a uma lição específica, ela fica gravada em ti para toda a eternidade, o que quer dizer que não tens de fazer essa mesma experiência. Isto não quer dizer que não tenhas de enfrentar certas situações que já viveste e concluíste. De certeza que acontecerá, a única diferença, é que automaticamente saberás como agir. Todos os conhecimentos adquiridos que possuis, mas não te lembras, servem-te a ensinar os outros através do teu próprio exemplo. Já reparaste no que dizes e fazes com aqueles que te rodeiam? Sem quereres, estás sempre a informá-los das consequências dos seus comportamentos. Já notaste que fazes isso de maneira natural? António, é o que fazemos todos, terminamos uma experiência, adquirimos um conhecimento, depois transportamos e transmitimos essa sabedoria.

“Sim… na realidade sou eu… às vezes eu sou bem-vindo outras, tenho impressão que nem por isso. Há pessoas que se sentem ofendidas quando falamos do seu comportamento. Sabes, eu tinha tendência a pensar que, se eu sou capaz de acender um cigarro hoje e amanhã abster-me, pensava que todos seriam capazes de fazer o mesmo. Agora compreendo que as nossas experiências são diferentes e que nos comportamos segundo as nossas experiências adquiridas.”


“Sim, mas isso não quer dizer que se devem servir disso como desculpa. Se alguém vive uma experiência que não é saudável e que é dolorosa, isto não quer dizer que a pessoa deve continuar e mesmo morrer por causa de tal comportamento para compreender a experiência.

Tu vives e viverás sempre no livre arbítrio. Se causas sofrimentos físicos ao teu corpo durante anos e finalmente morres, nós respeitamos a tua escolha. Mas se tu decides que chega e decides mudar de comportamento, mais uma vez, nós respeitamos a tua decisão. Uma coisa posso-te garantir, não é verdadeiramente necessário sofrer e morrer por causa duma experiência. Se fumas dois maços de cigarros por dia, achas necessário que alguém te venha dizer que esse hábito pode causar-te grandes problemas? Claro que não, a tosse da manhã te dirá! Podes, durante muito tempo fumar muito e depois decidires abandonar, sabendo que esse hábito pode mesmo matar-te. Decides que não é assim que queres morrer.

No entanto, seja o que for que faças, uma experiência será adquirida. A única diferença, é o sofrimento! O sofrimento não é necessariamente a compreensão.”


“Se compreendi correctamente as tuas explicações, o cancro, como as outras doenças graves, não podem existir se os chacras tiverem bem equilibrados, é isso?”


“Se os teus chacras estão bem equilibrados, isso significa que vives em harmonia com o universo. Como é o universo que provém as tuas necessidades, tu obténs sempre aquilo que pedes, incluindo a cura constante do teu corpo.”

“Rubert, se a fórmula é assim tão simples, porque é que as pessoas não a põem em prática? Toda a gente gozaria de uma boa saúde na terra!”

“Como já te disse anteriormente, o processo é simples demais para se acreditar. A maioria prefere o sofrimento e o desespero primeiro, depois, decidem ir ao médico para obter comprimidos. Os comprimidos é como fita cola preta, que pões sobre uma luz vermelha, trata-se apenas de uma solução temporária.”

“Eu próprio penso que as receitas médicas são dadas muito facilmente, o que me leva a pensar se a intenção é de curar ou é para fins lucrativos?”


“Sim, poderíamos dizer que se trata de um circulo vicioso. A sociedade exige medicamentos milagrosos. Os médicos e os cientistas não têm escolha, têm de se conformar ao facto, mas depois lucram imenso através do processo. é aqui que começa o circulo vicioso da medicação abusiva. No entanto, mais cedo ou mais tarde, compreenderás que és tu o responsável pela tua saúde, e que és tu quem está na origem das tuas doenças. Reconhecer os factos e aceitar a plena responsabilidade do teu próprio destino, é o principio da tua cura. Tu podes remendar constantemente a tua saúde, mas enquanto não aceitares a responsabilidade, a cura será sempre temporária.”


“Muitos vão estar em desacordo com as tuas palavras, porque muitas pessoas foram tratadas com grande sucesso pela medicação. Aliás, tenho membros na minha família que sobreviveram ao cancro e isso graças à medicina.”


“Sim… eu sei. No entanto, também tens os que não sobreviveram. O que muitos de vós não vêem é o que se passa na mente daqueles que atravessaram o que poderíamos chamar, uma experiência de morte eminente. Sem dúvida alguma, os médicos jogam um papel muito importante na reabilitação dos doentes, é por isso que são médicos. Mas se tu perguntares a um médico se a cura tem ou não a ver com a mente, a maioria deles, para não dizer todos, dirão ‘sim’. A origem e a cura de todas as doenças começam na mente.”


“Disseste e repetiste que somos nós próprios quem provoca as doenças e que somos responsáveis do nosso destino. Estas informações serão sem dúvida difíceis para muitos de nós aceitar, especialmente para aqueles que estão convencidos serem vítimas da doença. Quais seriam os conselhos ou as sugestões que poderias dar para me ajudar a tomar as minhas responsabilidades face às doenças?”


“O corpo é provavelmente vítima como dizes, a pergunta é; vítima de quê? O corpo reflecte sempre o mau entendimento entre a Alma e a mente, o ego. Para responder à tua pergunta, em primeiro lugar deves estar atentamente à escuta do teu próprio corpo. Se aprenderes a sua linguagem poderás estar em constante comunicação com ele. Ele diz-te constantemente o que necessitas fazer para viveres com saúde e boa disposição. Ele dirá quando deves parar. Quando comes demasiado, ou bebes, ou fumas, ou mesmo se fazes exercício demais, o teu corpo reagirá sempre. Se tu persistes e ignoras os sinais, eventualmente o corpo não tem escolha, tem de se ajustar ao teu comportamento. Deixa-me fazer-te uma pergunta. A primeira vez que bebeste uma cerveja, o que é que disseste? Provavelmente que o gosto é amargo ou péssimo. A primeira vez que acendeste um cigarro, apreciaste a entrada do fumo nos teus pulmões? É muito provável que não e que os teus pulmões manifestaram o seu descontentamento.

Como podes ver, o teu corpo avisa-te sempre quando algo não é bom para ele. A pergunta é sempre a mesma… “será que estás à escuta?” A maioria de vós não estão. Como o teu corpo foi desenhado para se adaptar ao seu meio ambiente, tanto a cerveja como o cigarro, entre outros, com o tempo o corpo conforma-se. Agarras-te as essas coisas que no princípio nem tinham bom gosto, devido às influências exteriores, o que em si te impede de ver a nocividade que podem conter. Não te estou a dizer para condenares ou acusares as influências exteriores, porque finalmente, todos vivem os mesmos modelos de comportamentos, e que muitos de vós têm mais ou menos as mesmas experiências a viver e a exprimir. É sempre interessante viver uma experiência, mas é importante não ficarem prisioneiros de nenhuma delas.

Se tu te alimentas de maneira equilibrada o teu corpo ajusta-se a essa rotina que te trará saúde e bem estar. Por conseguinte, nenhum dos teus órgãos será deformado ou fará esforço em demasiado, a energia será bem distribuída. Se pelo contrário, tu comes demasiado ou comes alimentos que não são o ideal para ti, é natural que os teus órgãos dilatem, que o sistema digestivo trabalhe sem cessar, assim como tudo o que se segue. Esse comportamento pede muita energia. Lembra-te do que falámos com respeito aos chacras e aos bloqueios de energia. Toma isso como exemplo. Se a energia corre naturalmente, todo o teu poder de cura própria estará em acção. António, o teu corpo físico é de construção perfeita e ele possui em si uma farmácia viva, tão complexa e extraordinária que nem os vossos melhores cientistas são capazes de explicar.

Tu tens, se posso utilizar o termo, um escudo protector integrado na tua AURA. Algo que te protegerá contra muitas doenças. Se tu o enfraqueces, ele torna-se vulnerável. Inclui na tua alimentação, muita água, um espírito pacífico, uma boa noite de sono, relações harmoniosas e, claro, a importância de uma boa respiração. Se incorporas tudo isso na tua vida, viverás uma vida saudável.”


“Quando falas de uma alimentação equilibrada, podemos incluir a carne? Muitas pessoas que estudam a espiritualidade, tornam-se vegetarianos. Será que é uma escolha indispensável a fazer?”


“O ser humano rodeia-se de enormes crenças. Os estudantes da espiritualidade sabem e aceitam que estão na terra para se equilibrarem. Quando escolhem ser vegetarianos, trata-se disso mesmo, uma escolha! Claro que poderá haver mil e uma razões que os leva a escolher isso. No entanto, não se trata de uma necessidade ou de uma lei espiritual. Quer se alimentem de um animal ou de uma planta, trata-se sempre de uma vida que tomam. Se essa é a razão da vossa escolha, então devem compreender porque é que os animais estão aqui na terra. Os animais servem de companhia e de alimento na roda da evolução.

Quando olhas à tua volta, notas que não é nada disso que se passa. Os animais são explorados, abusados e comercializados. Como vez, nenhuma destas palavras menciona respeito. A vossa sociedade mudou completamente o porquê da sua presença na terra. Muitos vegetarianos deixaram de comer carne para protestar contra esses abusos e crueldade. Como falámos anteriormente, tudo faz parte do plano divino, os animais também. Eles têm também o seu lugar, os seus direitos assim como o direito de expressão neste planeta. É provável que não tenham o poder de se revoltar contra o agressor, mas há uma coisa que eles podem fazer e que estão a fazer neste momento. Muitos deles estão-se a ir embora, não voltam mais, criando assim a extinção de várias espécies. Outros, e isto colectivamente, estão voluntariamente a ficar doentes para não ser comercializados ou comidos. António, ainda não viram nada, esta revolta vai ampliar-se se não houver mudança de comportamento.”

“Era isso que querias dizer quando disseste que tudo na terra estava ligado kármicamente?”


“Sim… o karma é possível graças à causa e efeito, e a causa e efeito graças à correlação. António, quer se trate duma galinha, duma vaca, duma cenoura, dum brócolo ou de uma salada, o respeito que tu lhe dás é exactamente aquele que receberás. Não esperes vinganças, porque tudo e todos fazem parte do plano divino, as reacções às tuas acções virão do universo em diversas formas e feitios. Coisas desta natureza promovem as doenças, porque devem compreender e aprender que cada movimento de vida deve ser respeitado, mesmo que necessites de o comer para sobreviveres. Claro que podes comer carne se assim desejares. A vida alimenta-se da morte e a morte da vida. No entanto, também podes escolher  agradecer e honrar os teus alimentos, sejam eles animal ou vegetal. Todos os sentimentos são ouvidos pelo universo e o universo são todos vós. Se no fundo do teu coração tu agradeces e honras, o mesmo te será reflectido. Lembra-te sempre, tudo o que vai, volta de novo.”

“Penso compreender a situação kármica entre os humanos e os animais. No entanto não vejo a relação kármica entre nós e a vegetação.”

“No entanto ela é de maior importância. Tem sido através da sociedade vegetal que a humanidade sofreu a maioria das correcções. Ela rege a atmosfera, o que em si, é enorme! Existem desertos hoje na terra que já foram paraísos exóticos, se me permites utilizar o termo. Procura nos teus livros de história e verás. Embora a terra tenha milhões e milhões de anos de existência, basta olhares para os últimos cinco mil anos para poderes observar o poder da sociedade vegetal. Não há muito tempo, o homem decidiu cortar árvores centenárias no continente europeu para construir navios, para depois em batalhas, afundá-los. Subitamente, todas essas lindas árvores que davam, gratuitamente e incondicionalmente o oxigénio, encontram-se no fundo do oceano. A reacção a isso foi grandes mudanças climáticas que abanaram consideravelmente toda a população. António, isto é apenas um exemplo, penso que és capaz de ver a importância da população vegetal e aquilo que ela pode fazer. Só porque ela não mexe de maneira que se veja a olho nu, não quer dizer que ela não esteja bem viva e que esconda em si um poder enorme.”

“É uma verdade clara, mas confesso que nunca tinha visto isso dessa maneira. Segundo o que dizes, quer dizer que nós ainda não saímos do buraco em que nos encontramos. Ainda hoje continuamos a abater kilómetros de árvores de cada vez, especialmente em locais cruciais como na Amazónia…”

“Nós sabemos, e embora as mudanças climáticas tenham um impacto directo sobre o karma e as doenças, seria melhor deixar este tópico para outro capítulo.

Vamos continuar e terminar este assunto. A percepção, quero dizer, a maneira como vez as situações e as circunstâncias da vida, é um factor muitíssimo importante, tanto para as situações kármicas como para a saúde. Deixa-me dar-te alguns exemplos que favorecem isso: o ciúme, a inveja, o ódio, a ganância, as preocupações, o medo, a pretensão, a obsessão, a confusão, a autoridade, o stress, o rancor, a falta de aceitação, os julgamentos e o amor são os elementos principais que produzem a doença…”

“Desculpa-me interromper, mas porque que é que classificas o amor como energia negativa? Estava convencido que o amor era um elemento poderoso de cura, aliás, o único e só elemento de cura!”


“Sim… o único problema é que o amor que conheces e utilizas na terra, não é bem aquele que cura. Muitos comportamentos suicidários, odiosos, vingativos e rancorosos saem directamente desta energia que tu chamas amor. Casais casam-se por mil e uma razões que eles chamam amor. Quando as relações se deterioram, o amor muda e transforma-se em divórcios, muitas vezes cheios de guerras e de ódio. Muitas pessoas, incluindo as vossas famílias, amam-vos por aquilo que eles querem que vocês sejam, mas quando não sois aquilo que eles esperam, o amor que têm por vós, muda, podendo mesmo transformar-se em outra coisa.

O verdadeiro amor que cura é o amor incondicional, a aceitação total dos outros, o que significa, amar sem ligação. É esta frequência de êxtase que todos procuram através das múltiplas encarnações que decidem viver. O amor incondicional é a chave da libertação espiritual.

António, tudo o que existe tem sempre dois lados, é por isso que te convido a parar de julgar. No entanto, há uma coisa que só tem um lado. Essa coisa é a essência de Deus, a fronteira final, o amor incondicional.”


“Até agora compreendo tudo o que me explicaste, mas há qualquer coisa que tenho um pouco de dificuldade. Qual é a tua explicação no que diz respeito aos bebés que nascem com doenças, sejam elas o cancro, a sida ou deficientes? Será que é possível nascer com os chacras desequilibrados? Se sim, porquê?”


“Existe uma grande diferença entre essas duas experiências que se ligam à saúde. É bom que tenhas feito essa pergunta. As doenças que vêm connosco, são registos kármicos de vidas anteriores. Deixa-me dar-te alguns exemplos e ao mesmo tempo explicar o processo. Mas antes de começar, é preciso notares que seria inapropriado para ti ou seja para quem for, começar a julgar ou interpretar essas situações em relação a quem as vive. Simpatiza, mas compreende que esse processo serve um desejo e uma causa mais elevada do que aquela que poderias ver com os teus olhos humanos.

Há sempre um objectivo ligado à pessoa que vem ao mundo doente. Aos olhos da Alma, trata-se de preencher o seu plano e cumprir o seu contrato. O bebé que entra nesse estado, não veio necessariamente para a sua evolução pessoal, ele vem como voluntário a preencher um propósito mais elevado. Lembra-te sempre que todos vêm para evoluir através das experiências. Existem diferentes razões, por vezes, razões escondidas atrás dos ditos ‘dramas’ que vivem. Ser-me-ia impossível e mesmo incorrecto tentar nomeá-los todos, no entanto, para te ajudar a compreender este mecanismo, eu vou enumerar alguns.

Por exemplo, parentes que vivem a experiência de terem filhos doentes. Quais são as possíveis razões que se ligam a tal experiência?

1. Tiveram filhos com saúde mas nunca lhes deram valor.

2. Abandonaram os filhos em vidas anteriores, agora estão presos a eles.

3. Necessitam nesta vida, trabalhar a aplicação, a responsabilidade e a protecção.

4. Decidiram amadurecer emocionalmente através da aceitação.

5. Decidiram compreender e controlar o ego.

“E se o bebé ou a criança morre?”


“Embora as explicações que te dei se possam aplicar, é natural que aqui a densidade kármica seja maior.”

“Se compreendo bem, tudo, mas tudo, é kármico?”

“Não necessitas fazer mais essa pergunta António… tudo, mas absolutamente tudo está ligado pela acção… Tudo é simplesmente kármico nesta dimensão terra, tudo!”

“Sim, já falámos disso. Só que há tanta coisa a compreender que por vezes fico baralhado.”

“É um caso muito normal quando exploramos profundamente o plano divino de evolução. Voltando agora ao nosso assunto, se a criança morre ou se o casal através de múltiplas tentativas e sacrifícios não conseguem ter filhos, neste caso é porque houve um sério abuso de abandono ou de irresponsabilidade para com os filhos. Aquilo que outra vez negligenciaram, agora têm de passar por todo este dito ‘sofrimento’ de quererem e não serem capazes.”

“Mas… isso é uma crueldade!”


“O que é que chamas cruel, ter abandonado a criança, ou a morte da criança?”


“No meu ver… os dois!”


“Se olhares para essas experiências simplesmente com os teus olhos humanos, tens provavelmente razão, é uma experiência cruel. No entanto se fores mais longe e olhares para a experiência como parte dum plano maior – parte duma conclusão que te permite passar a outras fases de experiência, seria olhares através dos olhos da alma. Deves compreender que a maneira como os olhos humanos avaliam uma experiência, não é a mesma com que a Alma o faz. No corpo físico, o instinto principal é de sobreviver e de proteger a vida. Mas para a Alma, embora tudo isso seja honrado, esse não é o seu interesse principal.”

“Mas, para esses bebés, essas situações não devem ser nada fáceis? Se o exemplo que acabas de dar é exacto, deve ser muito difícil para essas crianças voltarem e sofrerem de novo? Primeiro viveram o abandono, depois voltam a este mundo doentes, aleijados ou morrem nos primeiros meses ou anos de vida. Falas como se tudo fosse apenas uma fantochada, e que os nossos sentimentos até nem têm assim tanta importância.”


“Mais uma vez, olhas para todas essas experiências de maneira emotiva. António, é a isso que nós chamamos o ‘acordar’ ou o ‘despertar’. Fantochada… sim, se o quiseres ver dessa maneira. Sentimentos… de quem são os sentimentos? Onde nascem eles? Quando dizes, ‘os nossos sentimentos não têm assim tanta importância’ é como se fosses aquilo que vês à frente do espelho. Através desta nossa conversa, a intenção é de compreenderes e partilhares com outros, o facto que todos fazem parte dum mecanismo, perfeito e complexo.

Tanto o bebé, como os pais e todos os que fazem parte desse circulo, pertencem e fazem parte da experiência escolhida. Embora se sintam e tenham ar de surpreendidos em frente de uma tal experiência, para a Alma não é surpresa nenhuma, porque foi ela quem planeou colectivamente com os outros essa experiência. É um acordo entre as constelações que viajam através dos tempos a jogarem o jogo da vida.

Todos somos partículas do corpo ‘Deus’ em movimento, por conseguinte, todos conexos e todos responsáveis das nossas próprias acções. Nós utilizamos corpos humanos para evoluir, mas não te agarres muito a esses corpos, porque o corpo sem alma não é nada. Ama o teu corpo por aquilo que ele é para ti, sabendo que esta união é temporária. Esses bebés que parecem preocupar-te, têm à sua volta uma multidão de anjos e de guias que fazem parte do plano escolhido e do processo. Garanto-te que eles não sofrem nada daquilo que tu pensas sofrerem, porque recebem toda a atenção e protecção necessária. A missão deles pode ser uma  intenção de tocar profundamente os seus pais, um grupo de pessoas e em muitos casos, abanar uma parte da sociedade. Eles vêm, para vos mostrar como melhorar e redefinir os vossos valores. Para resumir, a sua curta passagem traz como mensagem lembrar-vos de que o amor é a solução.”

“Isso também se aplica às deficiências físicas?”


“Sim, mas com já te disse e repito, as razões são múltiplas e é por isso que deves ter atenção às classificações. Uma outra razão porque é que seres entram e vivem com incapacidades físicas ou mentais nesta dimensão, tem a ver com o seu livro de contas kármicas, se posso utilizar esta expressão. Ser cego ou viver numa cadeira de rodas, são experiências que servem a harmonizar os desejos da Alma. Imagina alguém que acumulou uma grande bagagem kármica, ser cego ou viver numa cadeira de rodas, permite-lhe viver experiência únicas. Os cegos passam a maioria da vida deles a trabalhar os sentidos e ao mesmo tempo, a apreciar melhor e com consideração as outras pessoas e mesmo os animais, por causa da dependência que têm deles. Eles desenvolvem talentos incríveis, talentos esses que não teriam necessariamente desenvolvido se tivessem nascido sem deficiências. Eles têm o ouvido muito desenvolvido e uma grande sensibilidade. Hoje, eles utilizam a tecnologia existente à sua disposição para desenvolver os seus talentos e ao mesmo tempo, dar aos outros algo para pensar.

Para esta Alma, trata-se dum processo de cura própria que ficará com ele para toda a eternidade. Mesmo numa cadeira de rodas, por causa duma deficiência, ele vive uma multitude de experiências. Quando tu te esforças mentalmente, aumentas o teu estado de compreensão e o teu nível de percepção. A sua deficiência leva-o a observar as pessoas, os animais, as plantas e a vida em geral, o que o ajudará a praticar a arte da observação e de meditação. É muito provável que em vidas anteriores não deram grande atenção a todos estes factos importantes.

Quando a saúde, física, mental e financeira é muito boa, muitos de vós têm tendência a não tomar em consideração certos factores importantes da vossa evolução, como a vossa essência. A vida neste mundo material é tão boa que as ligações espirituais são ignoradas ou de pouca preocupação. Pensar ou falar de espiritualidade aos amigos ou parceiros é algo que poderia mesmo ridiculizá-lo. No entanto, sabe que haverá sempre excepções aos comportamentos humanos, sejam eles ricos ou pobres.

Pessoas que vivem vidas desamparadas e deficiências sociais, sejam elas físicas ou financeiras, têm tendência a serem mais abertos à sua espiritualidade. Todas essas situações jogam um papel muito importante na sua evolução. É por estas razões que é necessário pôr de lado a ideia de uma só vida, uma só hipótese. Caso contrário, essas pessoas vão pensar que não têm sorte ou que nasceram debaixo duma má estrela. É importante compreender que essas experiências oferecem a oportunidade de acelerar a aprendizagem através da experiência, e ao mesmo tempo trás lições de amor à sociedade e inspiração criativa.

É importante compreenderes que a doença assim como as situações difíceis, jogam um papel muito importante que te fornece a oportunidade de evoluir e de equilibrar as tuas dívidas kármicas. Em todo o caso, tu deves lembrar-te que és, em estado físico, o provedor de experiências à tua Alma. Foste tu quem escolheste essas experiências para atingires os objectivos mais elevados de evolução. Este conceito nem sempre é fácil de aceitar, mas é assim. Se estou aqui hoje contigo a falar de tudo isto António, é porque eu mesmo já atravessei essas experiências, e é por esta razão que eu vos compreendo muito bem. No entanto, quando a compreensão do propósito e do desejo da Alma é atingido, garanto-te que tudo será mais claro e muito mais ligeiro de viver. Quando tiveres compreendido quais são os sentimentos da Alma para com o corpo, quando ela sai dele, atinges uma grande paz interior, uma grande paz de espírito. Deixa-me dar-te um pequeno exemplo: adoras o carro que tens, gostas dele por diversas razões, tratas dele, limpas, reparas, breve, guarda-lo impecável e com muito gosto. Digamos que tens um grave acidente com ele, qual é a tua primeira preocupação, é o carro ou tu próprio? Exactamente, é isso que o corpo é para a Alma, o veículo em que viajava tinha a sua importância, mas nada mais.

Sob a tua forma física, tu és activado e sustentado pelo coração e o cérebro, quando tentas dar um sentido à doença, é através do teu cérebro e do teu coração humano que o fazes. É por essa razão que te sentes como sentes perante o teu corpo. Pensas e sentes que és esse corpo físico, e é assim que é suposto ser para o poderes proteger. Quando acordas e cresces espiritualmente, tu aprendes a conhecer o teu corpo físico assim como o teu corpo espiritual. Deixas de te inquietar com as doenças ou o lado negativo do karma, porque sabes que tens a escolha de acção, que és tu quem decide. As doenças são lições mascaradas que servem para atingir um alto nível de consciência. António, nós aprendemos melhor quando nos dói, mas não necessitamos de ficar na dor.”

“Porque é que duas pessoas que têm a mesma doença podem ter uma reacção bastante diferente, um fica doente e outro recupera completamente. As lições não são iguais para todos? »

“Poderíamos dizer que as lições são baseadas e desenhadas segundo a necessidade de cada um. Duas Almas podem viver simultaneamente na terra, experimentar as doenças e ter razões e necessidades completamente diferentes a resolver. O grau de tolerância utilizado pela Alma depende muito do seu nível presente de evolução. Deixa-me dar um exemplo simples. Digamos que tu és a Alma e o teu corpo o bebé. Ao principio tu és muito tolerante, seja o que for que ele faça, tu tens tendência a perdoar e a ensinar com gentileza e paciência, seria impensável punir o bebé que faz o que faz devido à sua pura inocência. Quando a criança cresce e torna-se adolescente, tanto as regras como a tolerância têm tendência a mudar e a endurecer. Depois de ter quebrado a jarra pela quinta vez, é muito natural que tenha de enfrentar certas consequências que estabeleceste. O mesmo se aplica à tua evolução espiritual, embora ao nível espiritual não haja punição, apenas o desejo de se realinhar e encontrar o caminho direito.

As punições não existem aos olhos do espírito, porque o espírito nunca se sente perseguido. Quando o espírito amadurece, dá-se menos tolerância e embarca no que alguns de vós chamam karma instantâneo. Porquê tudo isto? É porque a Alma, cujo o interesse é de graduar e passar a outros níveis de evolução, escolhe meios por vezes radicais, entre outros as doenças e deficiências, para triunfar e concluir o seu destino.”

“Um processo estranho. Eu que sempre senti pena daqueles que têm deficiências físicas. E o que é engraçado é que até começámos a ajustar-nos a eles, entre todas as facilidades que lhes são oferecidas, até estacionamentos para os carros deles lhes são reservados. Aliás, tanta coisa é feita para eles hoje que lhes simplifica seriamente a vida. Penso que depois de toda esta informação posso parar de sentir pena deles.”

“António, sentir pena de alguém é não honrar esse alguém. Construir acessos convenientes para pessoas com deficiências, são gestos de boa consciência que serão reconhecidos, não somente por todos aqueles que atravessam essas experiências mas também pelo universo. Seja qual for a forma que escolhem para vir à terra, ela é exactamente aquilo que devem assumir ao longo da vossa viagem evolutiva. Compreende que todos estão perfeitamente equipados para enfrentar e lidar com o destino desejado. Aquele que desenha o caminho, desenha também o veículo.

Já alguma vez te perguntaste porque é que as pessoas lindas e elegantes que parecem possuir tudo, sofrem tanto? Porque é que muitos deles vivem o dia-a-dia através de múltiplas drogas e medicamentos para serem capazes de enfrentar esse mundo artificial? No vosso mundo relativo de existência, a beleza é por vezes um grande fardo a transportar, poderíamos mesmo dizer, uma deficiência física.”

“Não compreendo!?”


“Não é fácil deslocar-se numa cadeira de rodas, mas olha que também não é fácil deslocar-se num corpo onde a beleza é demasiada. Há muito mais suicídios nas pessoas que possuem um físico perfeito, do que naqueles que vivem numa cadeira de rodas. Fazer uma experiência através da beleza física atrai toda a qualidade de situações e circunstâncias superficiais. António, se a beleza física fosse a felicidade, Hollywood seria um paraíso terrestre!

Mantém-te concentrado e em acordo com o teu mundo. As deficiências físicas, as doenças, assim como todo o resto, são experiências, não somente escolhidas, mas também desenhadas pela própria Alma. Sim, muitas das vossas doenças podem ser evitadas, no entanto, as deficiências físicas têm de ser vividas.”


“Agradeço-te todas estas informações Rubert, sinto-me bastante privilegiado.”


“És bem-vindo António. Partilha esta informação com todos os que se mostram interessados, no entanto, nunca te deves impor ou discutir com alguém que tenha ideias diferentes. Esta informação tem como intenção oferecer uma visão diferente que possa provocar e estimular a mente humana. Se alguém te apresentar uma verdade diferente, deves honrá-la sem necessariamente perderes a tua. Caminha sempre na paz e no amor e nunca te esqueças que estou incondicionalmente aqui para ti.”


“Obrigado Rubert, e com isto desejo-te uma boa noite.”


Contrariamente às minhas crenças pessoais, as doenças físicas, segundo o Rubert, parecem ser uma forma eficaz de evoluir. A primeira vez que vi uma pessoa aleijada, a minha mãe, assim como a família e outras pessoas, ensinaram-me a ter pena e compaixão por elas. Para reforçar essa crença, a minha mãe dizia que se não o fizesse, Deus punia-me, dando-me a mesma doença ou fazer-me viver a mesma experiência. Claro que tudo isso aos meus olhos hoje já não faz sentido. Não se trata de punição de Deus mas sim uma escolha própria para razões próprias.




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