A 13ª Tribo de Israel

Parte-1 (recebido por Antonio em 2001)

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A religião está presente na terra desde o princípio dos tempos. A sua existência é tão anciã que nem a devíamos questionar, ou será que deveríamos?


A religião seja ela qual for, vem sempre acompanhada duma série de regras a seguir, umas são rígidas outras mais flexíveis. A pergunta que tenho transportado na minha mente durante tantos anos é: qual o objectivo das religiões no nosso mundo e será que temos mesmo necessidade delas? Sendo um espírito livre como sou, a minha resposta seria, evidentemente, não! Mas como gosto de saber mais e já compreendi que tudo tem dois lados, penso que seria melhor pesquisar um pouco mais longe, aliás, comecei a compreender que há muito mais à nossa volta do que os nossos olhos podem ver. Uma coisa é certa, há muita contradição em volta das religiões. Seja ela qual for, todas proclamam adorar o verdadeiro Deus. Embora eu tenha de aprender a respeitar as opiniões de todos, confesso que não as partilho necessariamente.


A minha curiosidade e a minha pesquisa levaram-me a descobrir que nos últimos 5500 anos de história, a humanidade venerou mais de 2500 deidades. A Enciclopédia Dos Deuses, um magnífico trabalho de Michael Jordan publicado por Fact on File, dá-nos uma boa ideia da quantidade de deuses, assim como os seus nomes que a humanidade venerou. Como nasci em Portugal, a religião que me foi ensinada, saiu da Bíblia. A Bíblia fala dum Deus criador do céu e da terra, assim como tudo o que vive, mas a Bíblia é um manuscrito que em si guarda múltiplas contradições. Fala dum Deus de amor, carinho, compaixão, compreensão e ao mesmo tempo demonstra que esse amor e essa compaixão abre caminho a guerras e à vingança, olho por olho, dente por dente. A Bíblia fala dum Deus de inclusão e ao mesmo tempo um Deus que parece favorecer certos grupos contra outros. Mas não é tudo, quantas vezes ouvi dizer que Deus me conhece melhor do que eu me conheço a mim próprio, foi Ele quem me criou e isso para seu prazer. Ora, se eu sou mau, mentiroso, ladrão ou qualquer coisa desse género, parece que Ele já o sabe, imagino que sim, pois foi Ele quem me criou. Quando fabricamos um produto, se esse produto não é bom, de quem é a culpa? Quem é o responsável? Ainda mais, se Deus já sabe o que vou fazer, onde é que me situo em termos de escolha e responsabilidade?


Muitas das comunidades religiosas que nasceram dos ensinamentos bíblicos, proclamam que somente eles é que são capazes de interpretar as palavras desse grande manuscrito e se olharmos para o nosso passado, foi através da violência e do conflito que eles tentaram prová-lo. A Bíblia, sendo um manuscrito muito complexo e contraditório, claro que não devíamos esperar diferente. Já Abraão batalhava e hoje continuamos a fazer o mesmo.


O nome mais comum para identificar o Deus da Bíblia é Yave. Um nome introduzido 1200 A.C. nome esse que foi geminado com o de Jeová em 1200 D.C. Quando viajamos no tempo e traçamos a origem desse Deus, descobrimos que o seu nome mudou através dos milénios. Segundo a Enciclopédia dos Deuses, em 2700 A.C. foi conhecido no Egipto pelo nome de Atum. Em 2500 A.C. era conhecido pelo nome de El, mais tarde foi mudado para Aten em 2000 A.C. Em 1200 mudaram-no para Yahve, nome utilizado ainda hoje. Entretanto, esse Deus foi adoptado pela civilização grega que o chamava Zeus, isto 800 A.C. um Deus que o Império Romano baptizou mais tarde de Júpiter. Depois da passagem de Cristo, o nome Yave voltou e como disse anteriormente, esse nome foi geminado com o nome Jeová, um nome bastante contestado, isto pela ordem Católica, Evangelista e Protestante.


“Rubert hoje gostaria de falar contigo a respeito das religiões. Desde a minha infância que tenho…”


“Muita dificuldade em aceitá-las.”


“Sim. Não quero parecer negativo ou arrogante, mas o que elas ensinam, não vão muito bem com a minha maneira de pensar.”


“Sim, mas deves ter em consideração que tudo na terra é necessário à tua evolução. As religiões falam e tocam nos seres humanos a diferentes níveis de evolução. Para ti, as religiões já não se enquadram no teu caminho evolutivo. Naturalmente já passaste esses ensinamentos. No entanto, outras Almas necessitam dessas doutrinas para se aproximarem de Deus, para compreenderem que Deus não reina através do medo, mas sim do amor, que Deus não é exclusão mas sim inclusão. Poderíamos comparar o processo com as crianças, primeiro necessitam de regras, ameaças e de punições através do medo para que possam aceitar as lições da vida. Aqueles que seguem a religião, encontram-se numa fase de educação afim de descobrir a sua individualidade, contam e dependem das religiões como referência para fazerem as escolhas e as decisões na vida. Somente quando aceitam e compreendem que Deus não espera serviço nenhum da sua parte, apenas que cresçam e que evoluam no respeito ,na responsabilidade é que se tornam independentes da religião.

O caminho que leva à libertação espiritual divide-se em sete níveis de realização.”

“Sete níveis… queres dizer regras?”

“Não. Não se trata nem de regras nem de leis espirituais que tens de seguir. Trata-se apenas de referências de base para poderem analisar o vosso estado de evolução, se assim o desejarem. São apenas pensamentos, definições sábias deixadas pelas vossas gerações passadas, os sábios da vossa história.”


Primeiro Nível

(O princípio, pioneiro, iniciador.)

O primeiro nível é muito primitivo, a pessoa está bastante envolvida no mundo material e nos prazeres físicos. A acumulação de bens materiais são o centro do seu mundo. Acredita que a morte é o fim e que nada mais existe além disso. São as pessoas que dizem: “…só se vive uma vez! Então vamos viver!” A ideia dum ser supremo, um Deus ou um plano divino está completamente fora da sua crença.

As Almas que vivem neste nível, comprometem-se a abrir grandes círculos kármicos. Trata-se do princípio dum grande e rico percurso de experiência.


Segundo Nível

(Sensível às situações, segue a corrente.)

O segundo nível é quase idêntico ao primeiro. A posse de bens materiais assim como os prazeres físicos continuam a ser o que motiva esta pessoa. Acreditam com firmeza que o valor pessoal é baseado totalmente nas posses materiais. Ele deve possuir bens concretos assim como uma posição de prestígio ou de respeito a nível social. A maioria destas pessoas acreditam que um ser superior existe, no entanto, desenham esse Deus de maneira a servir os seus próprios interesses. Para eles a espiritualidade é muito elementar e as suas ideias perante Deus também. Poderíamos dizer que estes indivíduos crêem em Deus, simplesmente em caso que Ele exista.

As Almas que vivem a este nível continuam a abrir círculos kármicos, no entanto, também começam a conhecer o medo de não agradar a Deus.

Terceiro Nível

(O princípio da expressão pessoal.)

A este nível encontramos pessoas que continuam a dar uma certa importância ao material, mas que crêem sinceramente em Deus. Este é o nível onde a maioria da população terrestre se encontra presentemente na evolução e na tomada de consciência. Estas pessoas são prisioneiras entre dois mundos. A necessidade de acumular bens materiais ainda está presente, mas a descoberta de Deus tomou um lugar muito importante na sua viagem. Associam-se a religiões para aprender a obedecer ao que lhes parece ser a palavra de Deus. Entregam-se, por vezes incondicionalmente, àqueles que lhes dizem o que devem e não devem crer.

As Almas que vivem este nível, vivem um medo de não agradar a Deus, mas também à sua família e aos seus amigos, vivendo assim um combate interior/exterior que os leva à insegurança, à dúvida e à superficialidade.

Quarto Nível

(Criação duma fundação concreta.)

O quarto nível marca o princípio duma tomada de consciência espiritual. A este nível as pessoas já não se preocupam com a acumulação dos bens materiais. Elas apreciam e encontram prazer naquilo que o mundo físico material tem a oferecer, mas já não necessitam dele para se identificar. São pessoas determinadas e por vezes cabeçudas, já não sentem a necessidade de justificar a sua existência, começaram a compreender a união entre o corpo e o espírito. São pessoas que começaram a tomar plena responsabilidade dos seus pensamentos e das suas acções. Trata-se aqui do princípio da consciência universal.

As Almas que vivem neste nível começam a estar conscientes do mundo da acção e reacção, da causa e efeito em que vivem. Embora continuem a abrir círculos kármicos, eles também começaram a fechar círculos kármicos.

Quinto Nível

(Visionário, utilização construtiva da liberdade.)

A este nível encontramos pessoas com uma sensibilidade refinada. Eles não ignoram o aspecto do mundo material, mas a acumulação de bens deixou de ser uma preocupação. Eles confiam e ressentem o universo através do seu corpo físico. Eles compreendem a lei do karma e respeitam tudo da melhor maneira que lhes é possível. Eles confiam e vivem em acordo com as suas intuições. As suas habilidades físicas e mentais são principalmente utilizadas para ajudar os outros. Utilizam estas faculdades também para evitar os julgamentos, não somente perante os outros mas também para com eles próprios.

As Almas que vivem este nível estão bem conscientes do mundo de acção/reacção, causa e efeito em que vivem. É o princípio do fecho dos círculos de experiências e de liquidações kármicas que abriram através dos tempos. A este nível, a tolerância kármica é muito pouca, eles vivem mais o karma instantâneo, tudo o que fazem de maneira intencional hoje, lhes aparece amanhã para pagar.

Sexto Nível

(Harmonia entre o corpo, a mente e o espírito.)


A este nível, a pessoa une o corpo, a mente e o espírito. Através da compreensão e do conhecimento, é ele quem escolhe, controla as suas emoções e as suas paixões. Devido à compreensão da intenção e da consequência, os seus pensamentos são pensamentos que estão em harmonia com o universo. Esta Alma conhece o amor e a compaixão. O desejo de ajudar os outros através dos seus conhecimentos é muito forte. Sente-se muito confortável a comunicar com as entidades espirituais. Ele compreende perfeitamente a razão das suas encarnações assim como as lições que escolheu experimentar. Ele está, não somente consciente da sua evolução, mas também da sua tomada de consciência.

Sétimo Nível

(A porta da libertação espiritual.)


Este é o nível mais elevado de evolução espiritual. Trata-se do fim da linha que encontra o princípio, formando um círculo perfeito. O fim da experiência. O sétimo e último nível é muito parecido com o primeiro, completando e fechando um ciclo de evolução. Esta pessoa não acredita em Deus, porque descobriu que é Deus! Esta pessoa também não acredita no plano divino, porque compreendeu que é o plano divino! Esta pessoa não acredita em nada porque descobriu que é tudo!

A pessoa que atingiu este nível só pensa numa coisa, viver na Luz, na verdade suprema, na liberdade de existência. Ela compreendeu a dor e o sofrimento. Ela termina a dor e o sofrimento.

Esta pessoa tornou-se um mestre, porque domina a harmonia entre o CORPO, A MENTE (EGO) e A ALMA. A sua paciência parece irritável, os seus interesses indiferentes e o seu amor não existente, no entanto, a sua compreensão é infinita. Estas pessoas são raras na terra, mas são elas que detêm a lanterna bem alta para todos os que as quiserem seguir.



“Vou certamente estudar tudo isto Rubert, para que possa compreender bem. Tu dizes que as pessoas do nível sete são raras, seria possível dares alguns exemplos, alguns nomes?”


“Embora sejam raras, todos vós chegarão a este nível. Se te fosse a dar nomes, teria de te nomear todas as Almas que graduaram ao longo das encarnações terrestres. Garanto-te que todos os livros que têm nas vossas bibliotecas não chegariam. O que eu queria dizer é que elas são raras em classes, nas épocas, nos ciclos, elas são raras em proporção.”


“Se compreendo bem, então ninguém se perde, todos lá chegaremos?”


“Exactamente!”


“Admito que sabe bem ouvir isso. No caso de personalidades como Buda e Cristo, será que entram também neste ciclo de que falas?”


“A resposta é sim e não, devido ao facto que a passagem deles tinha um significado diferente. A missão deles não era verdadeiramente pessoal, mas sim colectiva. Os esforços deles não estavam concentrados num nível de evolução específico, mas sim com o objectivo de trazer equilíbrio e estimular a orientação social, (breve?), para mexer e abanar o poder e o controle, pôr em questão as religiões organizadas.”

“Não percebo!?”


“De vez em quando, no tempo, é necessário um ‘contrabalanço’, um elemento para equilibrar e trazer equidade entre os humanos. É por essa razão que Budas e Cristos têm passado pela terra desde o princípio dos tempos.”


“Quando falas de poder e controle, imagino que as religiões fazem parte. Onde é que se situam as religiões nos sete níveis que mencionas?”


“Vamos partir do princípio que as religiões nem sempre fizeram parte da raça humana. Durante muito tempo as primeiras raças de humanos que habitaram a terra, não tinham religião nenhuma. No entanto, por causa desse facto não havia grande evolução e destruíam-se uns aos outros de maneira brutal, batalhando por tudo e por nada.

A implantação da vida na terra não foi tarefa simples e a existência humana não faz excepção. Em primeiro lugar foi necessário preparar a terra para que pudesse suster vida e claro, a primeira vida foi muito diferente daquilo que vês e conheces hoje. Ao princípio tudo tinha de ser gigantesco, forte e resistente para que conseguisse durar, só ao fim de milhões de anos é que a terra começou a ser capaz de suster vida mais pequena e mais refinada. Não te esqueças que aquilo que chamam terra preta não existia, muito teve de morrer para que essa crosta viesse a existir. Somente depois é que as autoridades encarregues do projecto terra puderam começar a fazer experiências com vida mais pequena.”

“Fascinante!… Rubert, não sei se sabes mas atraíste toda a minha atenção… adoro esta informação. A vida gigantesca de que falas, será que te referes aos dinossauros?”


“Sim, se quiseres utilizar esse termo.”

“Que queres tu dizer com ‘autoridades’ encarregues do projecto terra?”

“A terra é um jardim e como todo o jardim, jardineiros são necessários. Vamos usar o nome de Jardineiros da Criação. São eles as autoridades encarregadas destes projectos. Como a terra era um planeta jovem, uma intervenção directa da sua parte era necessária. No que diz respeito aos humanos, naturalmente muitas experiências tiveram de ser feitas e muitos modelos, assim como alterações foram necessárias para se aproximarem do resultado desejado. Como podes imaginar, o processo levou muitos anos. Naturalmente, aquilo que te estou aqui a dizer não se produziu na sequência que vou citar. Houve milhares de anos que separaram estes eventos. Tenta seguir e compreender o que te vou dizer, mesmo se algumas das minhas explicações não façam sentido para ti.

A terra é um planeta jovem. Tanto a vida como a existência estavam presentes no universo muito antes da criação da terra. Não te vou falar de tempo porque para ti, não faria sentido algum. Os Jardineiros da Criação são anciões. A missão deles é de iniciar e de afeiçoar e aperfeiçoar novos mundos, dimensões de densidade material, para que as Almas pudessem encarnar e assim evoluir através da forma. Escolhi chamar-lhes Jardineiros porque é isso mesmo que fazem… jardinagem.”

“Que forma têm eles, física ou espiritual?”


“Poderíamos dizer que eles são os dois, mas de maneira diferente da que conheces na terra. Eles não nascem nem morrem da mesma maneira que vós. Eles podem viver milhares de anos de luz, é uma escolha que fizeram e eles trabalham directamente com a Fonte Original.”


“A Fonte Original… queres dizer Deus?”


“Sim. É esse o nome que a maioria de vós escolheu para identificar a vossa origem. Como podes imaginar, foram necessários grandes esforços e muito trabalho para preparar a terra para receber vida. O sincronismo no qual toda a vida funciona, tal como o movimento da vossa galáxia, necessitou de muito estudo, preparação, esforço e de determinação. De uma simples molécula, ao maior corpo, do mais pequeno grão de pó à maior rocha, tudo foi estudado com bastante minúcia. Cada vez que falamos de Jardineiros da Criação, devemos reconhecer e honrar o trabalho que realizaram. Não somente utilizaram o seu próprio esforço e determinação, mas também o fizeram com muito amor e carinho. Não há existência sem criação nem criação sem existência. É por isso que certos dos vossos textos mencionam, ‘Alfa e Ómega’ o princípio e o fim. Entre os dois, temos o privilégio de experimentar através da intenção e do desejo. É aí que tu, eu, os Jardineiros e tudo, mas tudo o que existe, se posiciona.”

“Peço desculpa pela minha ignorância, ou talvez a minha falta de sabedoria, mas parece-me que dás mais importância aos Jardineiros da Criação do que a Deus, ele próprio, porquê?”


“Não tens que pedir desculpa, as tuas perguntas, embora por vezes simples, são cruciais à tua evolução e à tua compreensão. Não te esqueças do que diz o sétimo nível de evolução, tu és Deus, eu sou Deus e Deus é tudo o que existe António. Deus não tem identidade, porque Deus é a Fonte Original, a Energia atrás de toda a existência. É por isso que podes ver Deus todos os momentos da tua vida. Tudo o que vez é Deus que tu vês.

No que diz respeito aos Jardineiros, não se trata de dar mais ou menos importância, trata-se apenas de reconhecer que eles são os sábios utilizadores da energia, da Fonte Original, ou de Deus se preferires.”

“Se tudo o que dizes é verdade, então estou com Deus todos os segundos da minha vida e todo o mal ou bem que faço estou a fazê-lo a Deus… é isso?”


“Tu não o fazes a Deus! Tu fazes com Deus! Quando eu disse que existimos todos entre o Alfa e o Ómega o que é que pensas que eu queria dizer?”


“Que existimos no corpo de Deus!?


“Então quem somos?”

“Deus!?”


“Exactamente! Como podes ver, tudo na vida não é nada mais ou nada menos que Deus, a Fonte, a Consciência Cósmica em movimento. Nós somos todos partículas desse movimento.”

“Confesso Rubert que este processo não é nada fácil para mim de entender. Sempre nos foi dito que Deus era o pai.”

“Já reparaste que não digo o contrário, apenas utilizo outros métodos de explicação. António, continua como tens feito até aqui, quanto mais avançamos nesta informação, mais as coisas serão claras para ti.

Voltando agora ao nosso assunto. Depois de muita preparação e transformação ao nível de corpos humanos, os Jardineiros conseguiram um modelo conveniente. Grupos diferentes começaram a criar aquilo que chamam tribos. Tranquilamente começaram a compreender que juntos teriam mais força e mais possibilidade e foi assim que o sentido de unidade começou. A caça era mais eficaz, abundante e em grupo sentiam-se com mais protecção e em segurança. Eventualmente, diversos grupos foram enviados e estabelecidos em diversos locais na terra.”

“Eram o Jardineiros quem criavam esses grupos?”

“Alguns sim, outros formavam-se por eles próprios. Por causa de desacordos no seio de um grupo, ele dividia-se para formarem outro grupo. Aliás, este comportamento ainda está codificado como memória no vosso programa.

Segundo o meio ambiente e a maneira como viviam, os Jardineiros da Criação desenharam uma religião conveniente às necessidades de cada um desses grupos. Através de projecções vindas do espaço, os Jardineiros manipulavam esses grupos, para que eles acreditem e ao mesmo tempo, temer aquilo que lhes estava a ser implantado.”

“Um momento… o que é que aconteceu ao livre arbítrio?”

“O livre arbítrio, não se aplicava da forma que se aplica hoje. Não te esqueças que eram os primeiros tempos de evolução humana. A ignorância reinava e se não fosse assistida, tudo iria por água abaixo. Lembras-te quando eras criança e te faziam medo com o lobo que te viria comer senão fizesses algo que queriam que fizesses?”

“Sim… hoje acho isso ridículo, mas é verdade.”

“É simplesmente assim, António. Trata-se de evoluir na informação e na responsabilidade. Voltando ao assunto, embora tenha utilizado a palavra manipular, todo esse processo foi instaurado com muito respeito e cheio de intenções benevolentes. Não te esqueças que tudo fazia parte do jardim que eles cultivavam para fins mais elevados. Conforme os tempos avançavam e a população dos grupos se multiplicava, veio a necessidade de implantar líderes no seio dos grupos para os guiar e mostrar-lhes o caminho a seguir para que pudessem evoluir. É evidente que esses líderes não podiam vir directamente da população terrestre, eles deviam ser escolhidos e instruídos pelos jardineiros. Com muito cuidado e minuciosamente os Jardineiros escolheram mulheres que tinham os genes mais apropriados para uma tal operação.”

“Peço desculpa de te interromper, será que os ditos Jardineiros têm algo a ver com o que nós chamamos deuses?”


“Digamos que eles enriqueceram a vossa mitologia. A tarefa de encontrar as mulheres com os genes convenientes não era fácil, porque a posição delas no seio da tribo era algo que também tinha a sua importância para favorecer o plano. Uma vez seleccionadas, o plano entrava em acção. A fecundação, como podes imaginar, não era feita sexualmente e embora o que te vá dizer pareça absurdo é a verdade. Algumas delas foram fecundadas em naves, outras durante o sono. O método utilizado, embora muitíssimo mais avançado, é algo que já utilizam hoje na vossa sociedade. Todo o processo era feito de maneira subtil, o que quer dizer que passava despercebido. Para te dar um exemplo, tanto a mãe do Buda como a mãe de Cristo são duas mulheres que receberam a fecundação dessa forma. Ambas receberam, supostamente, visitas durante a noite. Que visitas pensas tu que eram? No que diz respeito à mãe do Buda, sendo rainha e casada, tudo foi simples. No caso da mãe de Cristo, o processo foi um pouco mais complicado. Ora se o José nunca tinha tido relações com a sua futura esposa e ela aparece grávida, grandes problemas iriam sem dúvida surgir. Foi por isso que os Jardineiros enviaram um mensageiro a José para o avisar. Apenas te estou a dar dois exemplos, no entanto, como podes imaginar existem muitos, mas muitos outros com uma origem similar.”

“Rubert, a história que me contas é extraordinária, para não dizer estranha…”


“Poderíamos dizer que sim… no entanto, a história do teu corpo é também extraordinária.”

“O meu corpo… o que queres dizer com isso?”


“Toda a existência deveria ser considerada como uma realização extraordinária. É natural que não o vejas assim, porque cresceste sem verdadeiramente realizares a importância atrás de tudo o que vês e tocas. O primeiro corpo físico, está longe de ser o fruto de um simples acto sexual, ele teve de ser ‘fabricado’. António, o trabalho atrás de tudo o que vês na forma é muito complexo e necessitou de muito esforço e aplicação, é por isso que eu digo, extraordinário. Atrás de tudo o que vês, mas não ligas na (ou à?) forma física, há uma realização extraordinária e uma história extraordinária.”


“Dizes que os Jardineiros utilizaram métodos de fecundação para ajudar a humanidade a evoluir mais rápido, falaste também da importância da posição da mulher no seio da tribo. Podias explicar melhor?”


“Escolhendo membros como chefes de tribo ou de sangue real, os Jardineiros tinham mais sucesso na eficácia de espalhar os ensinamentos. No entanto, e isto por causa do mecanismo humano alguns começaram a abusar do poder que lhes foi confiado. Como por exemplo, a manipulação das escrituras que lhes foram confiadas. Em vez de o usarem para ensinar e trazer prosperidade ao povo, guardavam em segredo para assim poderem guardar o poder e criar abundância para eles próprios. Muitos consideravam-se deuses devido aos conhecimentos que tinham e reinavam através do medo e da intimidação. Eram poderosos e operavam a um nível de inteligência muito mais elevado, eventualmente, a diferença entre a miséria do povo e a abundância dos reis cresceu causando um enorme desequilíbrio.

Embora crentes, o povo começou a convencer-se que tinham pouco valor aos olhos de Deus, que Deus os tinha abandonado e com isto, muitos deles começaram a questionar a sua fé. Por essa razão, os Jardineiros alteraram um pouco a sua maneira de proceder, utilizando também elementos do povo. Um desses grandes exemplos é Cristo que nasceu no seio de uma família muito humilde de carpinteiros. Jesus Cristo foi um elemento que trouxe esperança e fez renascer a fé no seio do povo, enquanto o clero dizia que só através deles é que se podia chegar a Deus, Jesus dizia que Deus encontrava-se em cada um de nós, bastava olhar para dentro e por causa desta diferença, o clero ainda não encontrou a resposta à passagem do Cristo.”

“Não compreendo! Jesus Cristo é a fundação, diria mesmo a estrutura do clero hoje. “

“Sim, mas se os ensinamentos de Cristo não tivessem sido alterados, o Cristianismo não tinha dado nascença a tantos grupos de crenças diferentes, levando a guerras, conflitos, desacordos e divisões sociais. A fundação e a estrutura de que falas, não estão necessariamente ao serviço do povo.”

“As tuas palavras são um ataque directo às organizações religiosas.”


“Achas?… mas não é essa a minha intenção, apenas partilho contigo aquilo que é. Hoje, muito dos grupos religiosos são compostos de pesquisadores. Porque é que pensas que muitos deles deixam um grupo para entrar noutro? Quer dizer que o grupo que frequentavam já não corresponde à sede que eles têm de saber mais. Então, viajam de grupo em grupo à procura de respostas.”

“Estou a ver! Com respeito aos dez mandamentos, será que existiram? É verdade que foram dados a Moisés no monte de Sinai por Deus?”

“Tu leste os dez mandamentos mais do que uma vez, dá-me a tua opinião pessoal daquilo que compreendes.”

“Claro que não posso dizer que não são bons conselhos, no entanto, os três primeiros dá a parecer que Deus sofre de insegurança. Peço desculpa se estou a ofender, trata-se apenas da minha opinião, sincera e honesta.”


“Hoje, nesta época, quando tu lês a maneira como foi escrito, é natural que parece ser insegurança, mas convido-te a uma interpretação diferente. Vamos começar pelo princípio que Deus nunca te dirá, nem a ti, nem a mim, nem seja a quem for, de fazer ou não fazer seja o que for. Os dez mandamentos foram regras preparadas e desenhadas pelos jardineiros para aquela época. Os dez mandamentos tinham por objectivo,  aconselhar, dirigir e de instalar valores e ideais no povo.

Era muito natural e bastante provável que esses mandamentos fossem transgredidos. Os jardineiros sabiam muito bem disso, no entanto, havia também uma evolução que se faria através do processo. Se os mandamentos eram considerados positivos, quer dizer que o lado negativo também faria parte do processo. Tanto o positivo como o negativo de tudo o que existe são necessários para que possamos fazer uma escolha iluminada. Eventualmente, todas as regras deverão ser transgredidas. Os seres humanos não foram concebidos para serem palhaços obedientes sem inteligência ao serviço de uma ordem mais elevada. Mais cedo ou mais tarde todos se libertarão.

Por exemplo, eu poderia dizer que o adultério é um acto que nunca deverias fazer, porque se o fizeres serás punido. Repara, esta frase é verdade, mas como é que isso funciona verdadeiramente? Será que é Deus quem te pune? Será que são os jardineiros? É claro que não! Deixa-me explicar. Tu não deves cometer adultério, mas para saberes porque é que não deves, deves cometê-lo! Aquilo que chamas punição trata-se apenas do contrabalanço da experiência que criaste. Lembra-te que terás sempre de enfrentar as tuas criações, por cada acção há uma oposta e igual reacção. Nesta mesma vida ou numa outra, comerás do bolo que tu próprio cozinhaste. Deus não pune. Deus apenas permite que as experiências se façam. Sim, todos os mandamentos e regras, de uma religião a outra, devem ser transgredidos para serem compreendidos.

Convido-te a escrever os três mandamentos onde achas que Deus é inseguro.”

1-Eu sou o senhor teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa dos escravos. Não deves ter quaisquer outros deuses em oposição à minha pessoa.


2-Nao deves fazer para ti imagem esculpida, nem semelhança alguma do que há nos céus em cima, ou do que há na terra em baixo, ou do que há nas águas abaixo da terra. Não te deves curvar diante delas, nem ser induzido a servi-las, porque eu sou o teu Deus, sou um Deus que exige devoção exclusiva, trazendo punição pelo erro dos pais sobre os filhos, sobre a terceira geração e sobre a quarta geração no caso dos que me odeiam. Mas darei graças aos milhares que me amam e que guardam os meus mandamentos.

3- Tu não deves tomar o nome de Deus de um modo fútil, porque Deus não deixará impune aquele que tomar seu nome de um modo fútil.

Uma interpretação diferente.

1-(Eu sou o amor que corre no teu corpo. Acreditar em Mim te guardará fora da escravidão. Não necessitas de reconhecer aquilo que Eu não sou, porque Eu sou tudo o que existe.)


2-(Tu faças imagens esculpidas daquilo que não sou Eu. Nem veneres aquilo que não é Amor. Tu és exclusivo, dedica-te à tua evolução e descobre o Amor que sou Eu. Ao não agir assim, trará complicações para as gerações que seguem, das quais tu farás parte. Compreenderes o Amor é compreenderes quem Eu sou. Compreenderes quem Eu sou é compreenderes a tua verdadeira essência, assim encontrarás o Amor e a Graça que procuras.)


3-(Não deves tomar o Amor em vão, porque o Amor sou Eu e Eu sou tudo. Tu só serás absolvido no dia em que compreenderes e realizares o Amor no teu coração.)

Como podes ver através desta interpretação, não há nenhuma insegurança nesses três mandamentos. Trata-se apenas de etapas a seguir a nível físico. Todas as vezes que transgrides uma delas, tu saberás. É isso que chamamos iluminação.”

“Chamas iluminação à transgressão de um mandamento?”


“Quando atravessas uma experiência e realizas o que fizeste, isso é iluminação. Saber o que fizeste, é saber aquilo que deves esperar em volta. Simples, não é?

“Talvez para ti, mas para muitos de nós é assunto que merece meditação. Com respeito a Moisés, qual foi o papel dele no meio de tudo isto?”


“Moisés tinha uma missão crucial a preencher. Tratava-se de fundar uma nova geração de indivíduos, uma era nova se preferires. Para que a sua missão tivesse sucesso, “A Missão” ele devia nascer do povo e ser criado pelo Império. Como todos os missionários enviados pelos jardineiros, Moisés possuía habilidades especiais.

Moisés era um indivíduo que poderias classificar como estando à frente do tempo. Ele era forte, corajoso e inteligente, ele era conduzido pela verdade. Com todas estas particularidades, era evidente que o iam escutar. António, tenho a dizer-te que a informação que se segue é muito diferente de tudo o que jamais ouviste. Senta-te confortavelmente e prepara-te.

Os Faraós assim como aqueles a quem chamam Egípcios, não eram humanos normais. Havia uma verdade mais profunda com respeito à sua existência. Já alguma vez te perguntaste porque é que eles viviam numa civilização assim tão refinada para aquela época? Já alguma vez te perguntaste porque é que à volta deles haviam imagens, estátuas de pessoas com cabeças de animais estranhos? Alguma vez a tua curiosidade te levou a perguntar como é que as suas pirâmides foram construídas? Que género de maquinaria foi usada? De onde vieram todas essas pedras gigantescas? E, claro, não falamos aqui de algumas pedras, falamos de milhares de blocos, porque o interior das pirâmides são sólidas.”

“É por isso que a nossa sociedade reconhece as pirâmides como uma das maravilhas do mundo?”

“Exactamente. Como podes ver, não se trata de pessoas ordinárias. Eles detinham saberes que os mantinha em poder e em autoridade. Eles formaram uma aliança com os deuses que em troca, lhes ofereciam o poder, a sabedoria e a abundância. Eles eram tão avançados em comparação a outras nações que a rivalidade era quase inexistente. Os Egípcios veneravam esses deuses e de volta, os Faraós recebiam dons, da educação ao armamento. Esses deuses alimentavam-se de emoções terrestres, como fazeis quando vêem um filme. Enquanto os Egípcios banhavam nos prazeres e no ouro, devido à sua incontestável superioridade, eles praticavam a escravidão, obrigando os escravos a servi-los de toda a maneira inimaginável.”

“Rubert, as tuas palavras são fortes e estranhas, mas ao mesmo tempo não são!? Curioso!… Quem são esses deuses provedores de dons? De onde vêm eles?”


“São viajantes no tempo e no espaço, viajam através de diferentes portais existentes na galáxia, eles não vêm de lado nenhum específico, poderíamos utilizar o termo, Ciganos do espaço, e também não nascem nem morrem como vós na terra. Aos olhos dos jardineiros, eles são vistos como rebeldes ou mesmo piratas, porque numa certa época todos faziam parte do mesmo grupo, viajam da mesma forma que os jardineiros e detêm as mesmas habilidades, no entanto, utilizam-nas de maneira diferente. Se procurares bem e atentamente nas vossas escrituras religiosas verás que falam deles. O mais comum são os anjos escuros, negros, são mesmo vistos como demónios. Como podes imaginar, a história do universo é vasta e complexa, assunto que irá ficar para outra altura António, por agora vamos continuar com a história de Moisés.

A grande maioria dos escravos eram conhecidos como Hebreus, inconscientemente o grupo crescia e formava uma nação. Essa nação necessitava de um líder, um libertador e foi por essa razão que Moisés foi criado. Sabe que não foi a primeira vez que os jardineiros tiveram de intervir para equilibrar as grandes diferenças criadas por esses deuses e claro, não será a última, porque tudo o que é material tem tendência a desequilibrar-se. Ajustamentos constantes são necessários para que a evolução seja possível.”

“Como é que tudo isso é possível? Não compreendo porque é que o plano divino aceita isso!”


“Não é que o plano divino aceite isso, o plano divino é também isso. Não te podes esquecer do livre arbítrio, porque é a base da existência. Os deuses de quem falamos são os criadores do karma. Os jardineiros preparam o caminho livre de obstáculos, eles enchem o caminho de obstáculos, no processo nós atingimos a iluminação. Quando decides encarnar nesta dimensão física, não é um erro que cometes, mas sim uma decisão que fizeste. Como Alma, tu sabes muito bem para onde te diriges assim como o que te espera e o que tens de viver. Não és apanhado de surpresa… a vítima e o culpado não existem, lembras-te?”

“Mais uma vez, todo este processo me parece um jogo. Será possível que uma coisa assim tão séria não seja mais do que um jogo?”


“Na realidade é muito sério, mas não da maneira como tu o interpretas. Tudo o que experimentas sob a forma física, tem um significado para o corpo e um significado para a Alma, algo que já falámos noutros capítulos António.”

“Eu sei, mas tens de compreender que eu tento encontrar um senso às tuas palavras com o meu cérebro humano. Acredita que não é fácil, falas de deuses, jardineiros, animais, espíritos, humanos… uff… não esperes que eu compreenda tudo isto numa noite.”


“Então se calhar, o melhor é pararmos!

“Parar!… agora?… penso que não!… o que eu não compreender bem depois voltarei a ler o que escrevi.”

“Muito bem, então segue-me e verás que tudo acabará por se encaixar. Todos vós têm estas informações, basta abrir-vos a elas para que a memória volte.”

“Acho que seria muito mais simples lembrar-me de tudo logo, em vez de atravessar todo este processo como se estivesse a jogar um jogo de descoberta.”


“Mais simples sim! Eficaz? Não! A Alma concentra-se na viagem e não na destinação. A destinação é garantida, mas a viagem não é! Mais uma vez vou tentar terminar a história de Moisés. De acordo?”

“Sim, sim… peço desculpa de te interromper tanta vez.”


“Eu compreendo, a curiosidade invade-te e tu não queres perder nada. É por isso que gosto de trabalhar contigo.

Ao princípio, Moisés desconhecia a sua missão, por isso, servia o império de maneira extraordinária. Ele servia Faraó e o povo, assim como adorava os deuses do Egipto. Quando os jardineiros lhe mostraram tudo a respeito da sua verdadeira entidade e da sua missão, automaticamente pôs fim à vida que vivia. O seu passado, o seu presente e o seu futuro foram-lhe divulgados através de múltiplas visões durante o sono. Todas essas informações, fizeram com que Moisés reagisse de maneira estranha para com os que o criaram. Embora no passado a escravatura era algo totalmente normal aos seus olhos, agora tudo mudou.

Os dias passavam, a confusão instalava-se, julgamentos e acusações choviam sobre ele. Subitamente, tudo o que ele tinha feito para o império, caiu no esquecimento. Agora era visto como um traidor e finalmente foi acusado de alta traição. Por causa das visões que teve nada disto era estranho ou surpresa, ele sabia que tinha de atravessar esta fase. Incapazes de o liquidar, isto devido às crenças, mas também aos laços que criaram com ele, largaram-no às portas do deserto. Se ele tivesse de morrer, assim morria nas mãos do Deus que ele escolheu venerar depois de ter renunciado os deuses do Egipto e dos Faraós.

Aos olhos daqueles que o viram entrar no deserto, ele era um homem morto. Guiado pelo instinto e comunicação telepática, Moisés fez o caminho encontrando água e alimento ao longo do seu percurso, algo que os jardineiros tinham preparado para ele. Sem verdadeiramente saber onde ia, Moisés continuava a caminhada, até que finalmente encontrou um acampamento de pastores humildes perto de uma montanha.

Poucos dias passaram, o pai das pastoras convidou Moisés a ficar com eles, oferecendo as filhas em casamento. Embora reticente, Moisés acabou por aceitar a amizade da mais velha, fazendo dela sua esposa. Segundo a sua nova esposa, a montanha perto de onde pastavam era a residência de Deus e de facto a montanha era diferente das outras que Moisés tinha visto. Ele aprendeu que cada vez que Deus se encontrava na montanha havia muita actividade. A verdade é que uma luz parecida com fogo podia ser vista, mas não havia fumo, era como se o fogo ardesse mas nada queimasse. Quando isso acontecia haviam sempre nuvens por cima desse fogo, mas o mais curioso é que eram as únicas nuvens naquele céu azul. Embora muito tivesse sido divulgado a Moisés através de visões, houve também muito que não foi, isto para evitar complicações. Foi dito a Moisés que todos os que subiram a montanha para irem ver o que se passava, nunca mais voltaram e era por essa razão que ninguém ousava subi-la.

O tempo passava, embora soubesse que tinha uma missão muito importante a cumprir, ele não sabia quando é que isso iria acontecer, sabia também que o conforto que conhecia presentemente na sua vida, não duraria, no entanto, Moisés guardou sempre segredo às informações que lhe tinham sido dadas. Era importante. Um dia, ao cair da noite, a montanha estava particularmente intensa, o que despertou a atenção de Moisés. A sua intuição fez com que se levantasse e decidisse subir ao cume. Ao olhar nos seus olhos, a sua esposa compreendeu que nada podia fazer para o desviar. Era como se soubesse que esse dia viria.

“Como é que as pessoas conheceram e falavam do Deus da montanha?”


“Ele não era conhecido como o Deus da montanha, mas sim como o Deus de Abraão.”

“Abraão?… É exactamente o que a Bíblia ensina, quer dizer que é verdade o que está escrito?”


“Sim e não, como tudo o resto. Abraão também trabalhava e fazia parte de uma missão anterior desenhada pelos jardineiros, foi ele o pioneiro da religião que deu origem a muitas outras que ainda hoje existem. Moisés, embora tivesse uma missão diferente mas paralela, devia continuar na mesma direcção.”

“Tudo o que dizes Rubert é tão extraordinário e ao mesmo tempo tão incrível, que nem sei como é que as pessoas com quem vou partilhar estas informações vão reagir.”


“Mais positivamente do que pensas neste momento, verás! Olha para isto como informação, como alimento do espírito, do coração, para provocar a tua evolução sem limitações. Entraram na era da Luz António, muitos de vós já não necessitam de manuscritos religiosos ou outros para entenderem. A terra é presentemente uma grande exposição de informação, só têm de se abrir a ela. Olha em tua volta, vê além da pessoa, do animal, das plantas… olha além do teu ser, assim despertarás e verás com os olhos fechados. Existem presentemente partículas de informação em tudo o que vos rodeia, é por isso que eu te convido a libertares-te das ilusões que te impedem de ver a imagem mais grandiosa. Cada manuscrito que foi escrito ou que será escrito te será apresentado sob forma de energia e imagens. Tu nadas numa biblioteca viva. Observa e estuda. Se tu e aqueles que te escutam fizerem isso, garanto-vos que não necessitam de provas.

Vamos então acompanhar Moisés ao cume da montanha. Tudo parecia ideal. A montanha estava particularmente agitada e barulhenta ao começar da noite. Preparado e determinado, Moisés abraça a sua esposa e o seu filho e pôs-se a caminho. Depois de algum tempo caminhado, ele olhou para baixo e apercebeu-se que a montanha era mais alta do que parecia ao princípio, carreiros muito estreitos e rochas instáveis era o que Moisés tinha pela frente. A caminhada no deserto não tinha sido fácil, mas esta não lhe ficava nada atrás. Muitos dos rochedos obrigaram Moisés a fazer desvios, nos quais podia escorregar e cair. Finalmente, o cume da montanha encontrava-se somente a alguns passos. Ao aproximar-se tudo era muito estranho, as sensações, os sons, as luzes, mesmo o ar que respirava era algo que Moisés nunca tinha experimentado. O lugar onde se encontrava estava muito bem iluminado, era como se o sol brilhasse naquele sitio, no entanto, nada ardia. Ele não conhecia esses sons, eram como zumbidos eléctricos contínuos, obviamente algo desconhecido aos seus ouvidos, subitamente, memórias das visões que teve começaram a surgir. Uma voz falou. À frente dele, uma porta metálica com luz abriu-se, deslizando de maneira como se entrasse na parede, deixando na sua frente uma entrada livre. Uma voz ordenou-o a entrar, com prudência e ao mesmo tempo com um certo receio, ele obedeceu.

Moisés nunca viu ninguém. As vozes que lhe falavam não tinham corpos. Eram nítidas mas pareciam vir das paredes, uma de cada vez, como se fossem várias pessoas que falavam, Moisés recebeu todas as directivas para as etapas seguintes. Tudo era muito estranho para ele, o seu corpo estava completamente relaxado, como se não tivesse subido a montanha e enfrentado todos os obstáculos que nela se encontravam. Através de diferentes telas, imagens lhe foram mostradas, muitas delas mostravam locais que Moisés conhecia muito bem, confuso, ele limitou-se apenas a olhar e a escutar, ele sabia que estava em território de deuses. Embora conhecesse e tivesse vivido uma civilização bastante avançada em relação ao resto do mundo, tudo o que se encontrava ali à sua frente ultrapassava tudo o que jamais poderia imaginar. Depois de um certo tempo de bombardeamento visual, uma cadeira esquisita saiu duma parede que se abriu e se fechou rapidamente. Uma voz ordenou-lhe para se sentar. Mais uma vez, ele obedeceu e apenas segundos depois encontra-se num profundo sono.

Enquanto o seu corpo dormia, os jardineiros trabalharam nele. Vários testes e análises foram feitos para terem a certeza que tudo estava óptimo para poder continuar a missão que o esperava. Quando acordou, Moisés era um homem diferente. A sua aparência, a sua saúde assim como os seus conhecimentos foram trabalhados, não somente porque necessitava, mas também para causar uma impressão positiva aos olhos dos que o esperavam. Os jardineiros deram-lhe uma aparência que iria sem dúvida impressionar e ao mesmo tempo facilitar a sua credibilidade. Ninguém poderia duvidar que ele esteve em contacto com Deus e era isso que os jardineiros queriam que acontecesse.

Moisés voltou ao Egipto e com a ajuda dos jardineiros que estavam atrás de todos os prodígios de que ouviste falar, libertou o seu povo. Embora a tarefa não tenha sido fácil, ele conseguiu trazer o povo, como planeado, ao mesmo monte. Foi aí que recebeu os dez mandamentos e foi a partir desse momento que um novo povo, uma nova era conheceu o seu novo destino. Este povo tinha como mandato, evoluir e tornar-se um povo próspero.

Agora que a sua missão estava cumprida, Moisés despediu-se deixando atrás todas as directivas que lhe tinham sido confiadas. Subiu o monte de novo e nunca mais foi visto.”

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Fiquei sem voz. Todas estas explicações estavam muito além de tudo o que poderia imaginar, ou que esperava ouvir. Se tudo isto é verdade, meu Deus, temos vivido numa nuvem de mentiras e ao mesmo tempo, de histórias da carochinha.

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“É sem dúvida uma história extraordinária que partilhas comigo. Como é que ela vai ser vista, não sei, uma coisa é certa, vai causar uma grande provocação mental em todos nós. Segundo o que compreendo Rubert, os Jardineiros do Universo são aqueles que chamamos extraterrestres que nos visitam, segundo o testemunho de muita gente. Aliás, conheço pessoalmente alguém que foi testemunha de ovnis. É isso?”


“Não exactamente. A zona do livre arbítrio em que vives, é uma que permite a existência de um grande número de experiências. A terra tornou-se um planeta muito interessante. Uma grande variedade de visitantes têm os olhos virados para ela, observando discretamente e respeitosamente tudo o que se passa. Eles vêm para estudar e aprender como vivem os humanos neste momento crucial da vossa história. Mas não é tudo, um local assim tão interessante atrai uma vasta variedade de entidades e intenções. Entre eles, os jardineiros que são responsáveis pela ordem na galáxia e que o livre arbítrio seja respeitado.”

“Há duas coisas que disseste que eu não compreendi muito bem. Dizes que muitos vêm para estudar e aprender connosco, eu pensava que esses seres eram mais avançados que nós. A outra, ‘que o livre arbítrio seja respeitado’, o livre arbítrio é o livre arbítrio, não é?”


“Aprender é algo de maravilhoso para todos. Tu podes aprender de altos níveis de evolução como de mais baixos. Uma coisa é certa, a vulnerabilidade e emotividade que pode ser experimentada na forma humana é algo de extraordinário. Lembra-te que os seres humanos podem-se fazer rir ou chorar sem se tocarem. Podem sofrer grandes penas a uma grande distância, os seres humanos são seres maravilhosos, tão frágeis, orientados pela emoção e tão lindos. Sim, pouco importa a origem destes visitantes, garanto-te que eles podem aprofundar todos os seus conhecimentos simplesmente olhando para vós.

Quanto ao livre arbítrio, os jardineiros querem ter a certeza que o livre arbítrio de uns não interfere com o dos outros. Os seres humanos são uma espécie frágil, por isso necessitam de ser protegidos daqueles que possuem uma tecnologia muito mais avançada e uma constituição mais forte.”

“Se compreendo bem, os mais fracos são protegidos dos mais fortes, guardando assim a humanidade em equilíbrio. Explica-me então porque é que há países muito mais fortes e com uma tecnologia, que para outros é vista como super avançada, apoderando-se dos mais fracos impondo a sua lei.”


“Não é a mesma coisa António. O que se produz na terra é entre humanos no interior do vosso livre arbítrio. Não é visto como intrusos que utilizam uma tecnologia completamente diferente. Tudo o que se produz entre os humanos na terra faz parte do ciclo kármico dessa mesma existência e como sabes, tudo o que começam têm de terminar.”

“Será possível que, por exemplo, as coisas não funcionaram como previsto e que seres diferentes tenham interferido com a nossa própria existência?”


“Sim… é por essa razão que eu te disse que os jardineiros trabalham para evitar que isso aconteça, mas claro, acontece! Muitos dos vossos mitos originaram desse facto. A maioria dos mitos e das crenças contidas em muitas das vossas escrituras fazem alusão a intrusos e actividades no espaço. No entanto, não fiques a pensar que todos os mitos tiveram origem dessa forma, muitos deles foram deliberadamente fabricados aqui na terra para controlar melhor os povos.”

“Fabricados por quem?”


“Depois de Abraão, Noé, Moisés, Buda, Confucius, Cristo, Maomé e muitos outros antes e depois deles, que completaram a missão, deixaram a terra, aqueles que ficaram viram a oportunidade de tomar o controle, não somente para o poder mas também para os lucros. ‘Porquê trabalhar duro, quando podemos manipular o povo para nos trazer aquilo que desejamos.’ O que era para ser uma religião para educar e ajudar o povo a progredir e a evoluir, tornou-se um sistema que servia aqueles que se nomeavam grandes sacerdotes. Jesus Cristo por exemplo. A intenção da sua passagem era para desenvolver uma tomada de consciência no que diz respeito à liberdade espiritual e a uma religião moderna. Como sabes, não foi bem isso que aconteceu. ‘Mas que é isto, liberdade ao povo?!…’ diziam eles. Aliás, esta foi uma das maiores preocupações do clero e como o clero comia à mesa com reis ou imperadores, uma decisão rápida tinha de ser tomada. O impacto que criou a passagem de Jesus Cristo perante o povo foi enorme, diria mesmo, difícil de igualar. Depois de ele ter desaparecido, as entidades religiosas, lentamente mas seguramente modificaram a interpretação das suas palavras. Todos os que recusavam obedecer e reconhecer os novos ensinos eram simplesmente encarcerados. Os que eram discípulos fanáticos de Jesus Cristo serviam para espectáculo em circos, onde eram executados de maneira cruel. Claro que esta foi uma forma muito eficaz de passar a mensagem.

Noé foi outro ser que marcou um ponto muito importante do vosso tempo. Embora essa personagem seja conhecida por diferentes nomes noutras culturas que falam do grande dilúvio, entre nós vamos utilizar o nome Noé. Na mitologia Hinduísta, essa personagem é conhecida pelo nome de Manu.

Diz-me António, acreditas na história de Noé?”

“Não! Tinha apenas doze anos quando enfrentei um grupo religioso a esse respeito. Há tanta coisa que não faz sentido para mim nessa história e a realidade é que nunca foram capazes de responder às minhas perguntas, aliás, até hoje ninguém foi capaz.”


“Eu sei!… e é por isso que estou a abrir este parágrafo contigo. Como sempre tenho estado ao teu lado, vivi contigo as tuas perguntas e reconheço a tua sede. Bom, em primeiro lugar seria importante que compreendas as épocas e o processo de evolução na terra. Não podes comparar a época de Noé com a época em que vives. Mesmo que não estejas satisfeito com o estado em que o mundo se encontra presentemente, é impossível comparar as duas épocas. Outra coisa que te aconselho a estudar e compreender melhor, é o significado real do livre arbítrio. O livre arbítrio que conheces hoje a comparar com o livre arbítrio de há dois mil anos tem características diferentes. Para te ajudar a reflectir melhor, pensa no livre arbítrio na ignorância total e o livre arbítrio no conhecimento das acções e das consequências. Algo que vamos aprofundando através das nossas conversas, por agora vamos voltar à nossa história.

Numa certa época, a raça humana tornou-se no que poderíamos dizer, praticamente infectada. A sua evolução estagnou e poderíamos dizer que começou a recuar a grande velocidade. A violência, o sexo bestial, a falta de consideração, o abuso dos prazeres da carne… enfim, a destruição instalou-se e crescia dia após dia. Compreende que eu não te estou a dizer que os prazeres da carne são algo que te devas abster, o que eu te estou a dizer é que se vives simplesmente para isso, acabarás por te destruir. Foi exactamente o que se produziu nessa época. As pessoas perderam o seu equilíbrio e o sentimento do amor praticamente extinto. Sem produtividade e sem direcção, os crimes de toda a forma e feitio eram a realidade do dia-a-dia, o que dirigia inevitavelmente a humanidade a uma extinção. Até este momento, muito trabalho e muito esforço tinham sido investidos na raça humana. Os jardineiros não se podiam permitir a perder tudo. Era evidente que acções precisas e rápidas tinham de ser tomadas antes que fosse tarde demais.

Todos os humanos que ainda mostravam valores, traços de amor e condescendência, o que não eram muitos, apenas umas centenas, foram influenciados pelos jardineiros e dirigidos a um local específico e ali transferidos para uma nave que os esperava. Foram salvos. Receberam tratamentos, físicos, mentais e espirituais. Através da visualização, os jardineiros educaram-nos, para que pudessem compreender a vida com uma perspectiva e uma aptidão mais avançada.

Quanto aos animais, aqueles que se encontravam de melhor saúde, foram também transportados, protegidos e tratados numa nave, contrariamente ao que ouviste dizer, havia mais do que um casal de cada espécie. Um ponto importante que também necessitas saber é que os jardineiros reuniram uma quantidade muito maior de vegetarianos do que carnívoros. Uma vez a limpeza na terra feita, primeiro foram os vegetarianos a serem integrados e depois mais tarde os carnívoros.”

“Porquê?”


“Pensa um pouco! Se os tivessem trazido todos simultaneamente, o que é que pensas que teria acontecido aos vegetarianos depois de umas semanas?”

“Compreendo.”


“Uma vez tudo em ordem, a etapa seguinte era a grande limpeza. Desta vez os jardineiros não necessitavam de usar métodos radicais de exterminação como o tiveram de fazer em tempos passados. Desta vez utilizaram meios naturais… a água.

Através da sua tecnologia, que aos vossos olhos é incrivelmente avançada, eles utilizaram lasers para derreter o gelo necessário em ambos os pólos para assim provocar a maior inundação que a terra conheceu. Utilizando este método, tanto a vida vegetal como a vida marítima não correram perigo algum.”

“Fascinante!… diz-me uma coisa, a inundação ocupou a superfície da terra por completo?

“Claro que não António! Em primeiro lugar deves compreender que a população humana existente nessa altura era muito pouca e que nem todos os continentes estavam habitados. Outro pormenor importante, os seres humanos mantinham-se sempre perto de água; rios, lagos e oceanos, o que facilitou imenso a operação. Na realidade, tudo o que era montanhoso nos arredores não foi submerso.”

“Nesse caso, será possível que alguns seres humanos não protegidos pelos jardineiros, sobreviveram?”

“Sim!… era de esperar. O método de inundação continha essa probabilidade. Os sobreviventes, fugiram, esconderam-se e instalaram-se em zonas montanhosas, dando origem mais tarde aos povos a quem chamaram de bárbaros.”


“Interessante!… Voltando aos animais, se a inundação não foi total, então quer dizer que os jardineiros não necessitaram proteger todas as espécies?”

“Claro que não, somente aqueles que se encontravam em perigo eminente nas zonas visadas.”

“O que é que aconteceu depois a Noé?”

“Noé assim como todos os outros, foram escolhidos e preparados especialmente para guiar os seus semelhantes a uma vida de criação, oportunidade e prosperidade. Foi a última vez que a terra sofreu uma limpeza massiva desse género. Todas as limpezas que foram feitas depois, foram locais e a maioria através de guerras.”

“Rubert, até aqui tenho escutado e escrito o que me dizes, mas se me permites dizer, acho tudo isto injusto para não dizer bárbaro. Criaram-nos e depois destroem-nos por causa de imperfeições. Achas isso bem?


“António, bem ou mal…é! O contrato que temos entre nós é de eu dizer-te a verdade. Tu e a terra estão neste momento no tempo, na era da verdade, alguns de vós chamam a esta era, a era de Aquário. A verdade nem sempre é fácil de ouvir. O tempo de parar com as histórias da carochinha, chegou. É necessário começar a abrir-vos a uma realidade maior e a quem sois verdadeiramente. Tudo o que é físico, material, levou o seu tempo a construir e vários módulos a aperfeiçoar, por vezes o inevitável acontece onde tudo tem que ser destruído para que se possa começar de novo. Eu sei o que sentes, mas também sei que o que sentes, sentes com os olhos que tens hoje e esses olhos são as janelas da tua Alma e a tua Alma tem muitos milhares de anos de memória. Compreendes António?”

“Sim, penso compreender.”

“Muito bem, então vamos continuar. Os conflitos começaram e desenvolveram-se em guerras que deram como resultado a morte de milhões de pessoas. Cenas de horror, devastação, injustiças, abusos e muito mais como sabes, foi o que a humanidade viveu durante essas épocas. No entanto, como o objectivo único da nossa passagem na terra é de evoluir através da experiência, todas estas experiências horrorosas nos levaram a ser mais solidários, mais sábios, mais tolerantes, onde a aceitação e a tomada de consciência começa a fazer parte do vosso dia-a-dia. Como já te disse várias vezes, nós aprendemos melhor quando nos dói.”

“Eu compreendo, mas acho que temos muito que aprender ainda, porque as guerras continuam.”


“Tu podes ver e sentir isso como guerras, no entanto, o que está a acontecer trata-se apenas de jogos políticos e religiosos.”

“Chamas a isso jogos!”


“Sim… senão haveria centenas de mortos diariamente, milhares por semana e como tu sabes, presentemente não é esse o caso.”

“Não compreendo?!”

“António, são jogos políticos e religiosos, porque os mortos são poucos em termos de proporção. A morte não interessa, o que interessa são consumidores para manter uma economia que enriquece uma minoria.”

“Estou a ver, mas devo confessar que não via isso dessa forma. Rubert, algo que me ficou na mente quando falaste de pessoas infectadas. Será que elas não tinham Espíritos guias para os ajudar, para os proteger e para os orientar?”


“Eram tempos diferentes, compostos de experiências primitivas. Eles não tinham guias porque não tinham necessidade deles para viver essas vidas primitivas. Não havia razão para , os guias os guias espirituais os acompanharem. Tratava-se de trabalho para os jardineiros apenas observavam sem interferir.”

“Mas eu pensava que tudo e todos eram acompanhados!?”

“Muito bem… acho que podemos abordar esse tema neste capítulo. Pensas e não estás enganado, só que há uma grande diferença no modo de acompanhamento. Muitos de vós hoje têm um Espírito guia que poderíamos dizer, pessoal. Em tempos primitivos o sistema que utilizámos era diferente, aqui tratava-se de um grupo de Guias que lidava com humanos, para te dar um exemplo, a proporção poderia  ser 3 para 100.

Na época presente, existe substância suficiente para que nós, Espíritos guias, podermos evoluir. Nós somos para vós uma fonte de consciência. Nós evoluímos convosco com um grande desejo de aprender e de aconselhar. O aluno evolui com o professor e o professor com o aluno. Conscientemente ou inconscientemente a humanidade hoje questiona… e nós adoramos responder. Em tempos primitivos, a maioria não perguntava nada.”

“Falas como se alguns perguntassem!”

“Claro! Há sempre excepções, é a beleza desta dimensão tão querida. Há sempre um elemento que se destaca dos outros, a vida física é assim.”

“O que é que os guias faziam nessa situação?”

“Cuidávamos dele com um interesse particular.”

“Mas isso trata-se de preferências, não é?”

“Não!… não há preferências, apenas atendemos ao que se transforma! Todo aquele que desperta, recebe mais. Não se trata de receber mais e depois despertar… tem de despertar primeiro.”

“Compreendo. A minha pergunta pode parecer ridícula, mas na nossa época, ainda há povos que vivem de maneira primitiva. Eles têm Espíritos guias?

“Trata-se de uma pergunta um pouco delicada António, talvez não a vejas assim, mas ela é. Essa existência que tu chamas primitiva divide-se em dois níveis, kármico e primitivo. O primitivo significa que vivem essas experiências primitivas com o objectivo de reconhecer a importância da vida através da sobrevivência. Trata-se aqui de um grande começo de evolução espiritual, poderias vê-los como Almas noviças. O kármico, significa que vivem essas experiências primitivas com o objectivo de se relembrarem, de reconhecerem a importância e o valor da vida, algo que esqueceram e abusaram em vidas anteriores.”

“No que diz respeito ao lado kármico da experiência, queres dizer, algo que eles esqueceram ao longo da sua caminhada evolutiva?”

“Sim! Certas Almas escolhem maneiras radicais de se ajustarem à frequência do amor, reencarnando em níveis mais baixos de existência. Ao viverem uma vida onde necessitam de batalhar para sobreviver, leva-os a honrar a existência.”


“Será que todos temos de passar por isso?”


“Não, apenas alguns.”


“Não sabes o alívio que me dás. Diz-me uma coisa, o Noé, ele tinha um Espírito guia?”


“Os ‘Noés’ do mundo fazem parte de um grande plano, embora a nossa presença seja necessária e apreciada, são os jardineiros quem lidam mais directamente com eles. A sua passagem tem como objectivo servir uma causa específica para a humanidade, dizem ouvir vozes que lhes ditam o que devem fazer e onde devem ir, mas não é a voz de Deus que eles ouvem mas sim a dos jardineiros. Cada continente, como cada cultura proclamam ter santos e profetas que os ajudaram a entrar em contacto directo com Deus… o homem ainda não compreendeu Deus. Deus não te fala. Deus fala através de ti. Deus não existe no teu exterior, mas sim no teu interior. Deus não é uma entidade, Deus é a energia que alimenta as entidades… todos nós somos entidades dessa Luz eterna.”

“É uma história incrível que me contas Rubert, pergunto-me qual será a reacção das pessoas com quem vou partilhar.”


“O que é importante é que tudo o que provoca e estimula a mente é bom para a Alma. Alias, é a única forma de atingires a Iluminação. Mais cedo ou mais tarde todos se libertarão da ‘matriz’, sistema enquadrado e controlado, no qual vivem presentemente. E é assim que o processo deve ser.

Cada religião António, tem as suas próprias tradições místicas e práticas espirituais. Todas proclamam ser a verdadeira religião, a verdadeira voz de Deus, o povo eleito. Todas, de diferentes maneiras, falam do paraíso e do inferno. Todas mencionam anjos, sacerdotes, líderes e profetas. Cristo por exemplo, é venerado por muitas organizações religiosas; a organização católica, as testemunhas de Jeová, os anglicanos, os mórmones, os evangelistas e muitos outros grupos ligados ao Cristianismo, veneram o mesmo profeta, mas têm diferentes opiniões que os separam uns dos outros. Veneram o mesmo profeta mas zangam-se entre eles. Cristo é judeu de origem, mas os judeus não o reconhecem como Messias ou mesmo profeta. Muitas guerras e massacres foram feitas em nome de Cristo. Houve e haverá sempre desacordos entre as religiões e os sistemas organizados. A razão é simples. Os seres humanos não foram concebidos para serem controlados ou limitados… mais cedo ou mais tarde todos cortam os laços que vos impedem de subir e atingir a Luz.

António, a título de boas intenções religiosas, guerras de sangue devastaram sociedades. Os muçulmanos, cheios de boas intenções mataram os hindus. Os Cristãos libaneses mataram os muçulmanos libaneses, que por sua vez, mataram os libaneses hinduístas. Os iranianos mataram os iraquianos que mataram os iranianos. Os judeus mataram os palestinianos e os palestinianos os judeus. Os americanos bombardearam os russos e os russos bombardearam os americanos. Hitler matou os judeus e os judeus mataram os alemães e os americanos vieram e bombardearam os dois…

António, todas as guerras que existiram, existem e existirão, vêm sempre acompanhadas de lindas e maravilhosas intenções espirituais… é o que eles dizem.”

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